Título: Intolerância contra racistas
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 17/10/2005, Internacional, p. A10

Grupo neonazista planejava protestar contra ''gangues'' e acabou apedrejado em cidade do interior americano

TOLEDO, EUA - O pedido feito pelo Movimento Nacional Socialista (NSM, na sigla em inglês) à polícia de Toledo, no estado de Ohio, foi uma autorização para protestar contra a ação de ''gangues'' no bairro polonês da cidade. No sábado, o que se viu foi um violento confronto entre supremacistas brancos, representantes das minorias e os próprios marginais que agem na comunidade. O que obrigou a polícia local a decretar toque de recolher a partir das 20h.

O confronto surpreendeu as autoridades, que, embora tenham recebido informações de que gangues da região iriam interferir na manifestação, não esperavam violência. Ao fim do protesto, 114 pessoas estavam presas e 12 policiais, feridos por pedras e tijolos lançados por manifestantes de todos os grupos envolvidos. Vários prédios foram incendiados e carros de moradores e da polícia ficaram destruídos.

A intenção do grupo NSM, que se apresenta como o Partido Nazista da América, era se reunir numa praça da cidade e marchar sob proteção policial. Nas mãos, cartazes com suásticas e o recado: ''Brancos, unam-se. Lute por sua raça''. Mas foram logo hostilizados e viraram alvo de pedras jogadas por um grupo opositor. O protesto foi imediatamente cancelado, mas já era tarde para conter o confronto. Os neonazistas devolveram as pedradas e a polícia teve que agir.

Cerca de 150 policiais foram mobilizados para tentar dispersar as quase 500 pessoas envolvidas no conflito. Foram usadas bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha. Mesmo assim, a situação só voltou ao controle depois de mais de duas horas.

- Isso não poderia ter acontecido. Não deveriam nunca tê-los (os neonazistas) deixado fazer a marcha aqui. - disse Ed Kusina, de 80 anos, que foi criado na cidade.

- Eu estava tremendo. Temi por minha vida - desabafou Louis Ratajski, de 86 anos, dono do bar Jim & Lou's, um dos prédios que foram incendiados. Ele e o sobrinho, Terry Rybczynski, escaparam ilesos.

Após o confronto, o representante do NSM, Bill White publicou no site que o grupo mantém o comunicado ''O que realmente aconteceu em Toledo'', responsabilizando a polícia. Segundo seu relato, as forças de segurança da cidade se recusaram a agir preventivamente, uma vez que o confronto era previsto. ''Nós informamos à polícia que comunistas iriam começar a atacar as pessoas de manhã cedo'', escreveu.

Para White, seu grupo foi hostilizado por ''comunistas'', que passaram ovos e pedras aos ''negros''. No texto, admite que o MSN tinha seguranças particulares, também envolvidos na confusão.

À declaração do prefeito de Toledo, Jack Ford, - ''Alguém vai pagar por isso'' - o representante dos neonazistas repondeu, no site: ''Bem, eu espero que alguém realmente pague. Espero que ele (Ford) pague quando os eleitores o tirem da prefeitura.'' Para ele, ''o prefeito deu ordem à polícia para não conter os negros (...) porque não quer perder votos''.