Valor Econômico, n. 4959, 13/03/2020. Brasil, p. A4
Saúde contrata mais mil leitos e pede adiamento de cirurgias
Murillo Camarotto
Diante do crescimento do número de casos confirmados de covid-19 no Brasil, o Ministério da Saúde anunciou ontem a contratação de mil novos leitos em UTIs e recomendou que cirurgias eletivas (sem urgência) sejam adiadas. As medidas visam atenuar a pressão sobre Sistema Único de Saúde com o provável avanço do coronavírus.
De acordo com o balanço oficial, o país contava até ontem com 77 diagnósticos confirmados da doença. Os números, no entanto, começaram a ficar desencontrados, devido a divulgações de novos casos por governos estaduais, hospitais e laboratórios privados que não são computadas automaticamente pelo ministério. Os casos suspeitos são 1.422.
A pasta também informou que os 5.811 mil profissionais convocados para integrar o programa Mais Médicos devem assumir suas funções até o dia 7 de abril. A maior parte do contingente (44%) será encaminhada para capitais e regiões metropolitanas, onde há maior concentração populacional. Os contratos terão duração de um ano e custarão R$ 1,2 bilhão em recursos públicos.
Poderão participar apenas profissionais brasileiros ou registrados nos conselhos de medicina nacionais. Terão preferência especialistas em medicina de família e comunidade. O Mais Médicos conta hoje com 12.258 profissionais.
Haverá ampliação no horário de funcionamento dos postos de saúde, com 40% das equipes atuando em jornada de 12 horas diárias. A extensão do trabalho nessas unidades terá custo de cerca de R$ 1 bilhão, segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira.
A decisão de ampliar o número de UTIs resultou de um acompanhamento da expansão do vírus na Itália. O secretário-executivo Paulo Gabbardo explicou que o ritmo de evolução dos casos no país europeu acendeu o sinal de alerta no governo brasileiro, que em janeiro já havia anunciado a contratação de 1 mil leitos em unidades intensivas.
No caso das cirurgias eletivas, o ministério deve anunciar hoje uma recomendação oficial no sentido de adiar tudo o que for possível, no intuito de abrir espaço para os casos mais graves da covid-19.
Outra medida para reduzir o fluxo de gente nas unidades de saúde é a prescrição de receitas com validade mais longa para medicamentos de uso contínuo. Em vez de retirar remédio para três meses, por exemplo, os pacientes já levariam o necessário para seis meses. Existe possibilidade de o ministério pedir adiantamento de parte do duodécimo a que tem direito no Orçamento da União, caso o pedido de R$ 5,1 bilhões demore muito para ser aprovado.