Título: Além do Fato: Crédito - Tempo de crescer
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 17/10/2005, Economia & Negócios, p. A18

Peço licença à Associação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) para pegar emprestado o tema de seu último congresso e titular esse meu artigo. O tempo é realmente propício para crescer. O Brasil já cresce há oito trimestres consecutivos. Mas precisa crescer mais. Bem mais!

Se o Brasil cresce praticando a taxa de juros real mais alta do mundo, muito mais alta que a segunda maior taxa real do planeta e léguas à frente dos juros americanos e europeus.

Se o Brasil cresce mesmo sob o fogo cerrado da forte crise política dos últimos meses.

Se o Brasil cresce apesar de avançar a passos de tartaruga nas reformas microeconômicas.

E se o Brasil cresce baseado em uma infra-estrutura ainda bastante arcaica. Quanto vai crescer o Brasil agora que os juros iniciaram um novo processo de queda, que, para muitos, pode ser até de queda-livre, visto que a inflação está sob controle e em nível baixíssimo? Quanto vai crescer o Brasil com o arrefecimento da crise política?

Tudo bem que o mesmo otimismo eu não posso ter em relação às reformas microeconômicas e estruturais. Parece-me que somente em um novo governo, a partir de 2007, sendo Lula reeleito ou não, é que fará com que essas reformas voltem a sair do papel.

Mesmo assim, ainda muito titubeantes, já caminhamos nessas reformas. A principal conquista nesse campo foi, sem dúvida, a aprovação da nova Lei de Falências.

Nos últimos dois anos, o Brasil cresce a uma taxa média de 3,5%. Mas, como já enfatizei, precisa crescer mais, muito mais, para criar um ambiente apropriado para novos investimentos. E precisa crescer ainda mais para dar trabalho a milhões de brasileiros desempregados e tirar outros milhões da informalidade. E o desenvolvimento sustentável de um país está diretamente ligado ao setor de crédito. No Brasil, apesar de ainda representar apenas 28% do Produto Interno Bruto o volume de crédito vem dando importantes saltos nos últimos anos.

O crédito nunca cresceu tanto no Brasil. De todos os indicadores tão alentadores que a nossa economia vem produzindo nos últimos tempos, talvez esse seja o mais importante.

O potencial do setor é exuberante, basta-nos atentar para a evolução do crédito consignado. Da alavancagem do crédito depende o crescimento da economia brasileira. A expansão do crédito impulsiona a renda e o emprego.

O setor de crédito foi e continua sendo indispensável para o desenvolvimento do país. A indústria automobilística é o maior exemplo. O que seria dela nos anos 60 se não fosse o crédito? E hoje em dia não é diferente. É possível comprar um automóvel sem um centavo de entrada com parcelamentos que podem chegar a 60 prestações mensais. São cinco anos!

Com o tema Tempo de Crescer, esse mesmo que eu ¿roubei¿ para titular o artigo, o congresso da Acrefi não ficou apenas na comemoração do que vem sendo chamada de a explosão do crédito no Brasil. Muito pelo contrário. A entidade discutiu, durante três dias inteiros, os rumos do crédito e da economia do país. Foram traçados objetivos concretos para o contínuo desenvolvimento do setor.

As palestras a que assisti no congresso, umas bastante otimistas outras nem tanto, me fizeram ter ainda mais certeza de que, apesar dos pesares, esse país vai muito longe. Mesmo os palestrantes mais críticos à estrutura político-econômica do país se mostraram confiantes em mudanças.

Estou certo de que o Brasil não é mais o país do futuro. O presente já é uma realidade.

*Vice-presidente da Associação Nacional das Empresas de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi) e diretor da ASB Financeira