Título: O triste fim de dois líderes da Câmara
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Fonte: Jornal do Brasil, 18/10/2005, País, p. A4
A Câmara inaugurou uma nova era. Agora, quem renuncia a seu mandato para fugir do processo de cassação e manter o direito de disputar uma eleição de novo sai pela porta do fundo. Na história recente do Parlamento, na hora de ir para casa, pelo menos havia um ritual. Os senadores Jader Barbalho (PMDB-PA), Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (PSDB-DF) usaram a tribuna para dizer a seus pares e à população o motivo pelo qual iam deixar o Congresso. O deputado Valdemar Costa Neto (PL-SP) fez o mesmo há poucos dias.
Mas ontem mesmo esta tradição foi quebrada. Antigos líderes dos maiores partidos da Casa, Paulo Rocha (PT-PA) e José Borba (PMDB-PR), poderiam ter proferido o último discurso de seus mandatos no plenário.
Não apareceram. E foi assim que às 17h59, a um minuto da abertura dos processos, o deputado Pastor Pedro Ribeiro (PMDB-CE) discursou em defesa da proibição da venda de armas para nenhum outro parlamentar.
Pressão Antes mesmo da abertura dos processos ontem no Conselho de Ética, já tinha parlamentar pressionando o presidente Ricardo Izar (PTB-SP) para que ele não escolhesse relatores ''indesejáveis''.
Vale tudo ''Esse não pode porque é meu inimigo político'', dizia um. ''Esse é do partido adversário'', argumentava outro. Foi quando Izar baixou a decisão: os relatores serão escolhidos por sorteio. Só não vale ser do mesmo estado ou partido.
Presente Os deputados Professor Luizinho (PT-SP) e José Mentor (PT-SP), que decidiram não renunciar, fizeram questão de marcar presença na sessão do Conselho de Ética, ontem, a fim de ganhar ponto político.
Constrangimento Os dois, no entanto, não escaparam de sofrer um constrangimento. Logo que chegaram ao plenário, foram abordados por um funcionário do Conselho pedindo que dessem ciência à abertura do processo.
Trabalho perdido Desde sexta-feira, funcionários do gabinete de José Mentor arrumavam tudo como se fossem se mudar. Era o sinal de que o chefe renunciaria. Perderam tempo e energia.
Verticalização O PMDB pressiona para que, logo que desobstruída a pauta, seja votada a derrubada da verticalização. O governo faz que não é com ele.
Lei eleitoral Para o Planalto, o tempo de se fazer mudanças profundas na lei eleitoral passou. Vai fazer força para aprovar apenas uma resolução do TSE que reduz os gastos de campanha.
Reforma tributária? O ministro Antonio Palocci chamou o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), para uma conversa sobre a reforma tributária. O encontro será na semana que vem.
Prefeitos A reunião de Aldo e Palocci terá representante dos prefeitos, que querem o aumento do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que está na emenda da reforma.
MP do Bem Oposição e governo tentam se acertar hoje sobre a inclusão, em outra medida provisória, dos benefícios à indústria. As isenções estavam na MP do Bem, enterrada na semana passada.
Bola fora Já são cinco as reclamações protocoladas no Conselho Nacional de Justiça pelo afastamento do desembargador fluminense Luiz Zveiter da presidência do Superior Tribunal de Justiça Desportiva.
Dupla função O argumento é que o magistrado não pode exercer outra função, mesmo não remunerada. Mas o corregedor do CNJ, Pádua Ribeiro, só levará o caso a julgamento após receber a defesa de Zveiter e as informações do Tribunal de Justiça do Rio.
O avião e o governador Firme como lobista da companhia aérea BRA, o governador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) estava no Ministério da Defesa, ontem, defendendo mais trechos para a empresa. Até agora, o governo só liberou seis, dos 20 pretendidos.
Cunha Lima vê longe. Quer, com tanta ajuda, atrair a empresa paulista e abrir, no estado, uma rota para vôos internacionais. Já firmou parceria com a BRA para a construção de um hotel em Campina Grande. Agora, quer trazer os turistas de fora do país.
Jogo Rápido
Uma parceria do Incra com o Exército classificará 1,5 milhão de hectares das glebas Belo Monte, Bacajá, Curuá-Una e Pacoval, na área de influência da Rodovia Cuiabá-Santarém (BR-163). Por meio de imagens de satélites, o levantamento de dados vai mostrar as classes de florestas primárias, pastagens, culturas, capoeiras, áreas urbanas e hidrográficas dentro das glebas. O trabalho fica pronto dia 15 de dezembro. Se fosse toda utilizada na reforma agrária, a área seria suficiente para assentar mais de 40 mil famílias.