Título: Dia começou com derrota no STF
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Fonte: Jornal do Brasil, 18/10/2005, País, p. A4
A última esperança de cinco petistas acusados estava no Supremo Tribunal Federal (STF). Mas o ministro do STF, Carlos Ayres Britto, horas antes da instauração do processo no Conselho de Ética, negou a liminar que poderia suspender a instauração dos processos de cassação e frustrou a estratégia dos que pleiteavam o benefício. A decisão do ministro fez o relógio correr mais rápido para João Paulo Cunha (SP), Josias Gomes (BA), Professor Luizinho (SP), Paulo Rocha (PA) e José Mentor (SP) que tinham até as 18h para renunciar aos mandatos, e garantirem os direitos políticos ou enfrentar o processo.
A frustrada saída jurídica foi discutida em uma reunião que João Paulo, Luizinho, Paulo Rocha e Mentor organizaram na semana passada. Eles decidiram recorrer ao Supremo sob a alegação de que o ato da Mesa Diretora, de remeter todos os processos ao Conselho, poderia levar à cassação ''arbitrária e ilegal'' de seus mandatos. Os advogados dos petistas disseram que o relatório não apontava as irregularidades cometidas por cada um.
Se a liminar fosse concedida conforme os termos da defesa dos parlamentares, a Mesa teria de completar os processos e suprir as supostas falhas apontadas.
Ontem, mesmo depois de perderem no STF, o ex-líder do governo na Câmara Professor Luizinho, compareceu à reunião do Conselho de Ética em que seu processo foi instaurado e se disse inocente.
- Eu estou tranqüilo, não tenho culpa em nada, as provas me inocentam -, afirmou Professor Luizinho.
O ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha, afirmou não haver prova que o incrimine mesmo em sua declaração de renda.
- Todo mundo tem acesso à minha declaração. É possível ver que não há nenhum problema, até agora a Receita não se pronunciou - disse.
José Mentor entregou ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), e ao presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), uma perícia que comprovaria que o dinheiro que recebeu das contas de Marcos Valério se referem a serviços de advocacia prestados pelo escritório do qual é sócio:
- Mesmo o julgamento político não pode contrariar a prova e eu estou demonstrando a verdade dos fatos''.
O deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) também se declarou inocente e se defendeu da representação feita contra ele pelo PT por ter supostamente vazado informações sigilosas da CPI dos Correios.
- Ninguém vai me intimidar - afirmou Ônyx.