Título: BNDES financiará investidores
Autor: Marcelo Kischinhevsky e Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 20/10/2005, Economia & NEGÓCIOS, p. A17
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou ontem o apoio inicial que prestará ao processo de recuperação da Varig. O suporte para a companhia superar os problemas de curto prazo com as empresas de leasing de aeronaves virá através da criação de uma Sociedade de Propósito Específico (SPE) que vai adquirir as ações de VarigLog e Varig Engenharia e Manutenção (VEM).
O banco de fomento se compromete a financiar até dois terços do investimento nos papéis das duas subsidiárias, enquanto o restante seria desembolsado diretamente pelos investidores.
A instituição determinou o piso de US$ 62 milhões para o total da capitalização, valor mínimo necessário para a Varig honrar seus compromissos com os lessores de aeronaves. Haverá ainda uma auditoria que determinará o valor exato das duas companhias. Caso o montante ultrapasse este piso, BNDES e investidores deverão aportar os recursos necessários para manter a proporção de dois terços financiados e o restante colocado diretamente pelas empresas participantes.
De acordo com o banco, no futuro os investidores da SPE poderão transformar suas fatias na VarigLog e na VEM em participação acionária no Grupo Varig, evitando assim o desmanche dos ativos da companhia aérea.
A entrada do BNDES no processo de reestruturação levou ainda à suspensão da assembléia de credores realizada ontem e que continuará no próximo dia 26.
Apresentada pela Infraero - representante da classe 3 dos credores, a dos créditos sem garantias - a proposta de adiamento foi a maneira encontrada para que o BNDES pudesse formatar um plano que possibilitasse a reestruturação da Varig no médio e longo prazo.
- Temos que trocar informações. A entrada do BNDES representando o governo tem o propósito de trazer uma solução e preservar ativos - disse Adenauher Figueira Nunes, diretor financeiro da Infraero.
Sergio Varella, assessor da presidência do BNDES, frisou que não haverá desembolso para a empresa aérea, pois o financiamento seguirá as normas do banco.
- Também não se trata de estatização da companhia. O controle será dos investidores - afirmou.
O impasse da falta de representação dos trabalhadores no Comitê de Credores continuou. Apesar do acordo fechado na terça-feira entre representantes de associações e sindicatos, não houve votação na classe 1. A despeito da recomendação da mesa diretora da assembléia, o plenário decidiu pelo adiamento também desta decisão. (R.R.)