Título: Campo para novatos do petróleo
Autor: Sabrina Lorenzi
Fonte: Jornal do Brasil, 20/10/2005, Economia & NEGÓCIOS, p. A20
Estreantes no setor, pequenas empresas e universidades arrematam 16 das 17 áreas com pequenas reservas licitadas pela ANP
Designers, transportadores, engenheiros, universitários, professores. Houve de tudo, menos petroleiras no leilão de áreas reativadas - com pequenas reservas de petróleo e gás. Construtoras, distribuidoras de combustíveis e empresa de telecomunicações, entre outros estreantes, arremataram 16 dos 17 campos ofertados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na Sétima Rodada de licitações, encerrada ontem. Os investimentos nessas áreas, entre Bahia e Sergipe, serão de R$ 61,8 milhões.
Os lances de até R$ 700 mil frustraram quem se habilitou a concorrer a áreas com lance mínimo de R$ 1 mil. Alguns até tentaram, como a comercializadora McKinley, que ofereceu R$ 1,5 mil para ficar com o campo de Bom Lugar, na Bahia. Apenas 14 das 89 empresas habilitadas conseguiram entrar no rentável negócio de produzir petróleo ou gás. A reguladora arrecadou R$ 3 milhões ontem.
A empresa de telecomunicações C. Foster arrematou dois campos. Pirambá e Alagamar, em Sergipe, foram levados por lances de R$ 10 mil. Os investimentos nas áreas serão de R$ 460 mil e R$ 810 mil, respectivamente.
Também em Sergipe, o Carapitanga será explorado pela Silver Marlin, que deu lance de R$ 207 mil e investirá R$ 3,7 milhões no campo. O campo de Tigre contará com investimentos de R$ 10 milhões da construtora Severo & Vilares Projetos. Em Foz do Vaza Barris, a 27 quilômetros de Aracaju, a RAL Engenharia vai investir R$ 2,5 milhões. Com investimentos de R$ 6,3 milhões e lance de R$ 106 mil, a construtora Pioneira vai produzir petróleo próximo à capital.
A Universidade de Salvador e alguns consultores formaram o consórcio das empresas ERG e Panergy. Juntas, elas ofereceram R$ 710 mil pelo campo de Morro do Barro. O representante do grupo vencedor, James Teixeira, acredita que a região possua milhões de metros cúbicos de gás natural. Seu plano é investir R$ 13,8 milhões na região, situada na Ilha de Itaparica.
Com lance de R$ 97 mil e R$ 2,2 milhões em investimentos, a Transportes Dalcoquio venceu disputa pelo campo de Pitanga, no Recôncavo Baiano. A Petrolab, fornecedora de serviços para o setor, arrematou a Fazenda de São Paulo, no Recôncavo, de onde planeja extrair 30 barris do óleo por dia. Os investimentos na região serão de R$ 1,5 milhão. A Petrolab comprou ainda o campo de Gamboa, no Recôncavo Baiano, com lance de R$ 2 mil e investimentos de R$ 750 mil. A Alcom pagou R$ 279 mil para levar o campo de Jacarandá, no Recôncavo, e a Geobras ficou com o campo Bom lugar.
A Egesa Engenharia arrematou Araçás Leste ao oferecer tanto o maior bônus de assinatura quanto o melhor Programa de Trabalho Inicial. A empresa pagou R$ 400 mil. Já a Sinalmig, Sinais e Sistemas e Programação Visual, venceu a disputa pelo campo de óleo e gás de Rio Una, a 60 quilômetros de Salvador. O lance foi de R$ 51,2 mil.
O governo vendeu 20% de todas as áreas oferecidas. A média mundial de negócios nesse tipo de licitação não chega a 12%, informou a ANP. No total, foram leiloadas 251 blocos, dos quais 114 foram para empresas estrangeiras e 96, para a Petrobras. O negócio rendeu R$ 1,088 bilhão ao Tesouro.