Título: Wilma já açoita Cancún
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Fonte: Jornal do Brasil, 21/10/2005, Internacional, p. A13
CANCÚN, México - A contagem regressiva está terminando para turistas e moradores de Cancún, no México. O olho do furacão Wilma passa esta manhã pelo balneário, que ontem já enfrentava fortes ventos e ondas. Visitantes tentavam voar para casa, antes do fechamento do aeroporto. Quem não conseguiu se juntou à população nos abrigos públicos. Milhares de pessoas foram retiradas das áreas de risco, desde Honduras a Flórida Keys (Estados Unidos), ante a passagem da ''extremamente perigosa'' tormenta.
Wilma, que já matou 13 civis em inundações no Haiti e na Jamaica, enfraqueceu ontem para categoria 4 na escala Saffir-Simpson, com ventos de 233 km/h, mas ainda pode voltar à 5, a máxima. Meteorologistas estimam que após guinar para o Nordeste da Flórida, onde chega no domingo, o furacão se transformará em categoria 3.
- Ainda é uma tempestade muito, muito poderosa - alertou Max Mayfield, diretor do Centro Nacional de Furacões, em Miami.
O principal perigo é a lenta velocidade de deslocamento do Wilma - de 12 km/h, ontem. Isso significa que a precipitação e a ventania ficam quase estacionadas por onde o sistema estiver passando. Esse foi o fator que potencializou a destruição de Nova Orleans, atingida em agosto pelo Katrina, que se movia a 13 km/h.
- A resposta federal já está preparada - garantiu o presidente dos EUA, George Bush, criticado pela lenta assistência às vítimas do Katrina. Materiais de emergência foram enviados a Jacksonville, Lakeland e Homestead.
Em Cuba, que desde a quarta-feira já recebe as chuvas do Wilma, mais de 96 mil pessoas foram evacuadas para áreas mais altas. Já o prefeito de Cancún, Francisco Antonio Alor, esclareceu que os 70 mil turistas na cidade serão abrigados e que as Isla Mujeres e Holbox foram totalmente esvaziados.
- Contanto que tenha cerveja no abrigo e que meus filhos estejam seguros, tudo vai ficar bem - desdenhou o americano Mike Goepfrich, no mar da Playa del Carmen.
Ao lado, o pescador Rolando Ramirez estava bem mais apreensivo, tentando puxar seu barco para a praia:
- Estes turistas não se preocupam com nada. Mal sabem que, quando o furacão chegar, tudo aqui vai ficar embaixo d'água.