Título: Mais suspeitas vêm à tona
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Fonte: Jornal do Brasil, 21/10/2005, Esportes, p. A23
Ministério Público investiga a participação de outros árbitros e dirigentes no esquema de manipulação de resultados no Brasileiro
BRASÍLIA, RIO e SANTOS - O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, pretende investigar a suposta pressão de dirigentes sobre os árbitros para manipular resultados no Campeonato Brasileiro. Os promotores José Reinaldo Carneiro de Bastos e Roberto Porto, do Gaeco, fizeram a revelação ontem em audiência pública na Comissão de Turismo e Desporto da Câmara. Segundo os promotores, as fraudes no futebol são ''mais amplas''. Bastos e Porto também afirmaram que há mais árbitros envolvidos. Porto, na Câmara, disse que o empresário Vanderlei Pololi, um dos envolvidos no escândalo do apito, é ''conhecido como corruptor de árbitros há mais de 10 anos''. O promotor acrescentou que Pololi mantinha contato com dirigentes e jogadores. Porto disse também que o MP suspeita da participação de outros juízes.
Bastos afirmou que, em depoimento ao MP, o empresário Nagib Fayad, o Gibão, outro envolvido no escândalo, nada mencionou sobre suspeitas no jogo Botafogo 3 x 2 Juventude, apitado pelo paranaense Héber Roberto Lopes. Anteontem, na CPI dos Bingos, Gibão disse ter sido procurado pelo ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho (banido do futebol por conta das fraudes) na véspera da partida. Na conversa, Edílson teria lhe sugerido aposta no Botafogo porque, segundo depôs Gibão, estaria tudo acertado para a vitória do time carioca. O árbitro do jogo foi Héber Roberto Lopes.
No total, Héber apitou 16 jogos no Brasileiro-2005. O Santos aproveitou a suspeita sobre o árbitro para agir. O clube encaminhará ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) o pedido de anulação do jogo contra o Botafogo, em 14 de agosto. O confronto terminou empatado em 3 a 3, no Rio.
- Se o STJD anulou os 11 jogos apitados por Edílson (Pereira de Carvalho) porque estavam contaminados, nada mais justo que faça o mesmo agora - afirmou o diretor jurídico do Santos, Mário Mello.
Segundo dirigentes santistas, no duelo com o Botafogo, Héber Roberto Lopes deixou de marcar um pênalti a favor do time paulista, de Emerson sobre Diego. Ainda deu penalidade duvidosa a favor do Botafogo e mandou repetir a cobrança duas vezes. O lateral Flávio, expulso, no lance, acabou absolvido em julgamento subseqüente no tribunal esportivo.
O Santos pretende ainda recorrer à Fifa para impedir a anulação dos 11 jogos apitados por Edílson Pereira de Carvalho. O clube teve dois recursos negados no STJD. O Internacional também decidiu apelar à Fifa.
No Rio, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, mostrou-se irritado com as novas suspeitas.
- Cabe ao STJD tomar qualquer tipo de decisão sobre o assunto. Citaram outro juiz e já soube que o nome foi desmentido hoje (ontem) pelos procuradores em Brasília. Infelizmente, está se dando credibilidade a bandido. E lugar de bandido é na cadeia - disse Teixeira.
O árbitro Héber Roberto Lopes disse ter apoiado a decisão da Comissão Nacional de Arbitragem de afastá-lo do sorteio de juízes para a rodada de hoje e amanhã do Campeonato Brasileiro.
- Se fosse escalado, não teria problema nenhum. Mas entendo a posição da Comissão Nacional de Arbitragem e aceito a decisão. O Edson (Rezende, presidente da comissão) me ligou, me deu apoio e disse que seria importante me preservar porque vão ter jogos mais importantes para frente. Estou à disposição da CBF, STJD, de todos para qualquer explicação.