O Globo, n. 32585, 24/10/2022. Política, p. 7

Lira e Pacheco condenam ataques a Cármen Lúcia e PF

Bruno Góes


O ataque do ex-deputado Roberto Jefferson à ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia e a policiais federais que cumpriam mandado de prisão contra ele repercutiu no mundo político. Principais líderes do Congresso Nacional, o deputado federal Arthur Lira (PP-AL) e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) foram às redes sociais ontem repudiar as agressões. Em seu Twitter, Lira classificou o episódio como o “pico do absurdo”.

“O Brasil assiste estarrecido fatos que, neste domingo, atingiram o pico do absurdo. Em nome da Câmara, repudio toda reação violenta, armada ou com palavras, que ponham em risco as instituições e seus integrantes. Não admitiremos retrocessos ou atentados contra nossa democracia”, escreveu o presidente da Câmara dos Deputados.

Mais cedo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), já havia se manifestado em defesa da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, que foi xingada por Jefferson. O parlamentar citou também as ofensas dirigidas por bolsonaristas à deputada eleita Marina Silva (Rede) na sexta-feira, quando ela jantava num restaurante em Belo Horizonte.

“As atitudes repugnantes que ofenderam a ministra Cármen Lúcia e a deputada Marina Silva, duas valorosas mulheres brasileiras, não representam a nossa sociedade, que busca um país com mais equilíbrio, serenidade e igualdade”, postou.

Ele disse estar preocupado com os ataques às mulheres.

“Puni-los (os agressores) e calá-los é obrigação moral das instituições, principalmente da Justiça Penal. O Estado democrático de Direito confere liberdades ao cidadão, jamais o direito de praticar crimes e violar direito alheio”.

Sem ‘liberdade de agressão’

Também ontem, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), ministro Lelio Bentes Corrêa, e a corregedora-geral da Justiça do Trabalho, ministra Dora Maria da Costa, divulgaram nota repudiando as ofensas a Cármen Lúcia.

No sábado, ministros do STF já haviam manifestado solidariedade à colega. Alexandre de Moraes, também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e quem determinou a volta de Jefferson à prisão, divulgou uma nota em que classificou a atitude de Jefferson de covarde e se comprometeu a tomar as medidas cabíveis: “A utilização de agressões machistas e misóginas demonstra a insignificante estatura moral e intelectual daqueles que, covardemente, se escondem no falso manto de uma inexistente e criminosa ‘liberdade de agressão’, que jamais se confundirá com o direito constitucional de liberdade de expressão.”

Presidente do STF, a ministra Rosa Weber, por sua vez, afirmou, em nota, que tais condutas “são inadmissíveis em uma democracia, que tem como um de seus pilares a independência da magistratura”. Para ela, “não há como compactuar com discurso de ódio, abjeto e impregnado de discriminação, a atingir todas as mulheres e ultrapassar os limites civilizatórios”. Ambos os ministros ressaltaram a honradez e a competência de Cármen Lúcia.

No mesmo dia, um grupo de 250 advogadas divulgou um texto demonstrando solidariedade a Cármen Lúcia, no qual afirmavam que a fala de Jefferson foi “agressiva, descabida e criminosa”.