Título: Benício culpa cheques em branco por desvio
Autor: Eveline de Assis
Fonte: Jornal do Brasil, 22/10/2005, Brasília, p. D3

Para distrital, compras suspeitas eram feitas por funcionários

Ao responder ontem a interrogatório no Tribunal de Justiça, o deputado distrital Benício Tavares negou acusações de apropriação indébita, feitas em processo que está sofrendo. Ele alegou que tinha o costume de assinar cheques em branco e que todo o processo de aquisições - inclusive das cadeiras de roda que nunca teriam sido entregues - era realizado por sua equipe, a mesma que o denunciou pelo crime. Benício Tavares foi interrogado ontem, por quase duas horas, pelas denúncias de apropriação indébita, estelionato, emissão de notas fiscais frias e falsidade ideológica, pelo relator, desembargador Lécio Rezende, com a participação do Ministério Público.

O caso contra o deputado envolve vários inquéritos, divididos em objetos diferentes. Ontem o objeto era a compra de cadeiras de rodas pela associação da qual ele foi presidente, a Associação de Deficientes Físicos de Brasília (ADFB), feita com subvenções da Associação do Serviço Social do Distrito Federal.

A questão está na diferença das cadeiras compradas e das entregues pela empresa responsável pelo fornecimento das cadeiras Unicom. Essa diferença teria sido desviada para a conta de uma funcionária de Benício.

Perguntado porque essas pessoas teriam denunciado ele alegou divergências políticas, afirmando que uma delas posteriormente teria trabalhado para Geraldo Magela.

Benício Tavares contou que tinha total confiança na equipe e que só tomava conhecimento pela prestação de contas assinadas pela tesoureira.

O procurador do Ministério Público, que também participou do interrogatório disse que se ficar provada negligência, o deputado não poderá ser penalizado, o próximo passo, é ouvir as testemunhas (E.A.).