Título: José Edmar se diz vítima de armação
Autor: Eveline de Assis
Fonte: Jornal do Brasil, 22/10/2005, Brasília, p. D3
Para distrital, acusações feitas pela polícia resultam de montagem feita por rival que denunciou ameaça de morte
O deputado distrital José Edmar (Prona) negou ontem as acusações feitas pela Polícia Civil contra ele - invasão de terra, formação de quadrilha, favorecimento pessoal e ameaça de morte - e afirmou que tudo não passa de uma grande armação do também deputado e hoje secretário Wigberto Tartuce, com o objetivo de incriminá-lo por ameaça de morte. O parlamentar apresentou como prova de sua inocência uma fita, que foi entregue à polícia por seu advogado, com a gravação de uma conversa entre um servidor de seu gabinete, Edilson Folha Brandão, e Carlos Panta, a quem o deputado chama de pastor, na qual acusa Wigberto Tartuce de ter feito a armação contra ele.
O deputado, que convocou uma entrevista coletiva em seu gabinete, fez um histórico dos motivos que provocaram as desavenças entre ele, a deputada Eurides Brito e o deputado licenciado Wigberto Tartuce, atual secretário de Relações Institucionais e de Cooperação entre Poderes do DF, a quem José Edmar teria encomendado a morte.
Na gravação Panta refere-se a uma terceira pessoa identificada apenas como Bonfim, presidente de uma cooperativa habitacional, que teria feito a gravação da conversa entre ele e o próprio Panta, Nessa conversa, incriminaria o deputado José Edmar a pedido de Vigão e que no final foi o único que teria conseguido o que queria.
Panta conta na gravação que ele, Elizeu Fonseca da Silva, 20 anos, e seu pai, José Ferreira da Silva, o Zezão, teriam recebido R$ 50 mil, cada um, de Wigberto Tartuce para armar contra o deputado a acusação de ameaça de morte.
José Edmar afirma que as declarações da Polícia Civil são uma retaliação à denúncia de escuta em seu gabinete e que o deputado Tartuce está fazendo drama, querendo ser a vítima, reafirmando que essa história foi criada, inventada.
O deputado disse que tem a consciência tranqüila e não teme ter seu mandato cassado:
- Eu não tenho medo da justiça, passei a ter medo da injustiça - disse o parlamentar, que está satisfeito de agora poder ter direito de defesa na imprensa, o que antes não lhe foi permitido - afirmou.
Processo - A corregedora da Câmara, deputada Eliana Pedrosa, disse que, a partir das informações que tem recebido, vai aguardar até próxima terça-feira, porque qualquer abertura de processo tem que aguardar a abertura do plenário.
- Até lá, qualquer cidadão ou parlamentar poderá solicitar a abertura do processo e, caso contrário, eu mesma entrarei com um pedido de representação para investigar se houve ou não queda do decoro parlamentar.