Título: Senador do P-SOL terá de se explicar à CPI do Mensalão
Autor: Hugo Marques e Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 25/10/2005, País, p. A2

O senador Geraldo Mesquita Júnior, do P-SOL do Acre, terá de dar explicações à CPI do Mensalão sobre a cobrança do ''mensalinho'' aos servidores lotados em seu gabinete e nos escritórios no Acre. A deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) anunciou que ainda hoje vai apresentar requerimento para que a CPI convoque os ex-funcionários e atuais servidores do senador, para dar explicações sobre o recolhimento de cerca de 40% dos salários de quem trabalha no gabinete.

- A CPI do Mensalão foi criada para investigar vantagem financeira. É a instância para ouvirmos os funcionários do senador - explicou Perpétua.

A deputada acredita que o depoimento dos servidores e ex-servidores do gabinete e dos escritórios de Geraldo Mesquita Júnior poderá esclarecer se realmente havia esquema de corrupção.

- Se o senador foi capaz de pegar dinheiro em pequenas quantias de servidores públicos, o que ele pode ter feito em relação a esquemas que envolvem grandes quantias de recursos? Espero que o Senado esteja achando a mesma gravidade que eu acho nesta denúncia - disse a senadora.

Um dos funcionários que deverá ser convocado é o ex-assistente parlamentar Paulo dos Santos Freire, que diz ter sido obrigado a repassar 40% do salário para o escritório do senador durante um ano. Paulo gravou três conversas que teve com a atual chefe do escritório de Geraldo Mesquita no município de Sena Madureira, Maria das Dores Siqueira da Silva, conhecida como Dóris. Na fita, ela admite que até hoje retira parcela do salário para custear o escritório.

Com a cobrança do mensalinho, o senador ganhava duas vezes. De um lado, a parcela que os funcionários entregavam todo mês para custear as despesas dos escritórios. De outro, recebia verba indenizatória do Senado, destinada a pagar despesas como água, luz, telefone, diárias, passagens e aluguel.

Ao tentar explicar mais uma vez a cobrança de mensalinho dos funcionários lotados em seu gabinete, o senador Geraldo Mesquita Júnior entrou em contradição. Ontem, três dias depois de se referir ao recolhimento ilegal do dinheiro como ''solidariedade militante'', Geraldinho - como é conhecido - atribuiu toda responsabilidade a Maria das Dores Siqueira da Silva, a Dóris.

Segundo ele, a funcionária teria contratado Paulo para o escritório político sob a condição de que parte do salário seria entregue a ela para que financiasse despesas de uma ONG da qual faz parte.

Dóris teria confessado o esquema, de acordo com Geraldinho, na semana passada, em conversa com ele pelo telefone.

- Ela me envolveu como um escudo de proteção - justificou o senador.

Apesar de jogar a culpa no colo da assistente parlamentar, o senador disse que ainda não decidiu se pretende demiti-la. Em seguida, em discurso em plenário, Geraldinho acusou o governo do Acre (chefiado por Jorge Viana, do PT) de estar por trás das denúncias.

- Não pedi, não impus, não recomendei e nunca utilizei a prática de que sou acusado. Afirmo sem medo de errar. Pessoas ligadas ao governo do meu estado aparelharam e instruíram o atual denunciante - disse.

Ainda no discurso, o senador se exaltou ao dizer que estaria lidando com gente ''perigosa e sociopata'', numa referência aos adversários políticos em seu estado.

- Não duvidem que em breve meu nome esteja relacionado a algum crime grosseiro, ou que uma batida policial localize droga plantada no meu carro - afirmou.