Título: Wilma deixa rastro de destruição
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 25/10/2005, Internacional, p. A11
O furacão Wilma chegou à Flórida às 6h30 de ontem com ventos de até 200 km/hora, categoria 3 na escala Saffir-Simpson. Destruiu casas, arrancou árvores, matou pelo menos seis pessoas e deixou seis milhões sem energia elétrica. Na véspera, passou por Cuba, duramente atingida por inundações, provando a tese de especialistas americanos: o dia seguinte ao da passagem de um furacão do porte do Wilma costuma ser o mais dramático.
Quando passou pela ilha caribenha, a tormenta provocou a elevação do nível do mar em cinco municípios costeiros da região de Havana. As ondas chegaram a cinco metros de altura, deixando isolados dezenas de edifícios, e alguns já correm o risco de desabar. As inundações também obrigaram as equipes de resgate a usar veículos anfíbios e barcos a remo para retirar moradores que ficaram imobilizados. Em algumas regiões, os soldados andavam com a água à altura do pescoço.
Um dos bairros mais tradicionais de Havana, o Malecón, é um dos mais atingidos. Lá, toda a faixa até três quarteirões da praia está submersa, incluindo o muro de nove quilômetros de comprimento que fica à beira-mar. É a pior tempestade desde 1993.
Segundo o Instituto de Meteorologia de Cuba, a chuva e o vento já não oferecem mais perigo. Agora, o movimento do mar é o único e maior risco. A previsão é que a água continue avançando até a manhã de hoje. Até agora, mais de 600 mil pessoas foram retiradas de suas casas.
Nos Estados Unidos, a maior preocupação agora é com as pessoas que se recusaram a deixar suas casas. Principalmente na região de Flórida Keys, arquipélago ao Sul do estado, onde a água chegou à altura do peito. Foi a quarta ordem de desocupação do ano e, duvidando da gravidade do Wilma, 90% da população de 78 mil habitantes ficaram.
Ontem, depois de passar pelas ilhas ao Sul, cruzou o estado, atingindo cidades como Fort Lauderdale, West Palm Beach e Miami. As projeções de prejuízo estão perto dos US$ 20 bilhões.
O governador da Flórida, Jeb Bush, irmão do presidente, informou que foram enviados à região 3 mil homens da Guarda Nacional, e outros 3 mil estão em alerta. George Bush declarou o estado como zona de catástrofe.
- Nós vamos nos movimentar o mais rápido possível para liberar as estradas e começar nossas buscas com equipes de resgate em helicópteros - prometeu R. David Paulison, encarregado da Agência Nacional de Gerenciamento de Emergência (FEMA, na sigla em inglês).
O Wilma é o 21ª furacão do ano, oitavo a atingir a Flórida. Em sua passagem pelo Caribe e EUA, já matou pelo menos 25 pessoas. Dessas, 13 eram da Jamaica e Haiti, atingido ontem por nova tempestade tropical, a Alpha. Segundo balanço parcial divulgado ontem: há, até agora, sete mortos, 11 feridos, quatro desaparecidos e 435 famílias desabrigadas.