Título: Oposição ataca campanha de Lula
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Fonte: Jornal do Brasil, 30/10/2005, País, p. A6

Brasília - De olho nas eleições de 2006, o PFL não desiste de trabalhar no desgaste da imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para aniquilar de uma vez as chances da reeleição. E, assim, garantir espaço privilegiado aos candidatos da oposição. Na sexta-feira passada, o líder da legenda no Senado, José Agripino (RN), anunciou o partido deve representar o PT no Ministério Público para que apure a ''suposta existência de caixa dois'' na campanha petista para presidência da República em 2002. Mas a decisão ainda será avaliada pela Executiva do PFL, que se reúne na segunda semana de novembro para acertar o tipo de instrumento jurídico a ser utilizado para entrar com a queixa-crime. - É uma decisão de partido, a reunião da executiva será apenas para formalizar a decisão. Meu partido tem a coragem de tomar a providência para que os culpados paguem conforme a lei - afirmou Agripino, na ocasião.

De acordo com o líder pefelista no Senado, a reunião ainda deve definir se o partido entra com a ação de crime eleitoral direto no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ou se encaminha ao Ministério Público, instância mais indicada para investigar se houve ou não recursos não contabilizados na campanha eleitoral do presidente. A decisão da cúpula do PFL de entrar com a representação foi motivada pelas declarações do presidente do PL, Valdemar da Costa Neto (SP), que, na quinta-feira passada, confirmou na CPI do Mensalão, que recebeu R$ 6,5 milhões do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza para pagar dívidas da campanha de segundo turno da chapa Lula e José Alencar (PP-MG).

O PSDB também corre na mesma linha de ataque. A deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), que participou do depoimento de Valdemar, fez declarações agressivas:

- É preciso ter coragem para pedir o impeachment do presidente Lula. Vou conversar com o presidente do PSDB, José Serra, sobre isto.

O debate sobre o caixa dois pode esquentar ainda mais nesta semana. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) passou os últimos dias recolhendo assinaturas para instaurar uma CPI específica para apurar caixa dois em campanhas eleitorais.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-PE) já garantiu que a nova CPI será instalada ainda nesta semana.

A motivação de Virgílio partiu das ameaças de governistas que pediam investigações sobre o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de receber dinheiro não contabilizado do esquema de Marcos Valério em sua campanha ao governo de Minas Gerais em 1998.

A estratégia dos tucanos é a de ampliar as investigações sobre caixa 2 e circunscrever à CPI dos Correios as denúncias de corrupção no governo do PT.