Título: Mania de perseguição no Congresso
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Fonte: Jornal do Brasil, 03/11/2005, País, p. A3
Mais três deputados que participam diretamente da apuração do escândalo do mensalão reclamaram ontem que suas conversas estariam sendo monitoradas por grampos telefônicos: o presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), o relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), e Eduardo Paes (PSDB-RJ).
Izar foi o mais incisivo, dizendo que contratou um técnico para fazer uma varredura nos seus telefones e que de fato foi detectado um grampo ilegal em seu escritório de São Paulo.
O presidente do Conselho de Ética afirmou que notou ''barulhos esquisitos'' em seu telefone durante uma entrevista a uma rádio e contratou o técnico, que é autônomo, para analisar o caso.
- Mandei fazer uma varredura nos meus telefones do escritório em São Paulo, e foi encontrado um grampo - disse.
O caso, segundo ele, foi relatado à Polícia Federal e à segurança da Câmara, mas Izar disse que não sabe apontar quem seria o responsável pela escuta clandestina e não quis apontar suspeitos.
- Será que não é para assustar? - indagou.
Relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio desconfia dos ''grampos'' porque tem problemas constantes com seus aparelhos.
- Suspeito que estou grampeado porque tenho uma dificuldade enorme para falar no celular, a ligação sempre cai ou, quando estou falando, sai o som. Agora o telefone fixo da minha casa também está com problemas - explicou Serraglio, que afirmou ''não ter idéia'' de quem poderia estar vigiando suas conversas.
Integrante da CPI dos Correios, Eduardo Paes garante estar ''grampeado'' desde o início dos trabalhos da comissão, há cinco meses.
- Isso mostra a completa falta de respeito ao Estado democrático, é uma reprodução da polícia política e é a cara do governo Lula. O presidente não deve saber de nada, como já aconteceu outras vezes - ironizou ele.
O tucano acusou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e a Polícia Federal de serem as responsáveis pelo grampo.
A onda de denúncias de espionagem surgiu na segunda-feira depois da declaração do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), de que iria dar ''uma surra'' no presidente Luiz Inácio Lula da Silva caso acontecesse algo com um de seus filhos, que, segundo ele, estariam sendo vigiados em Manaus.
Na terça-feira, foi a vez de o deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) denúnciar grampos. Ele afirmou que a Abin rastreou suas conversas desde que assumiu a sub-relatoria da CPI dos Correios responsável por investigar fundos de pensão. O deputado também ameaçou ''dar uma surra'' nos responsáveis.
O pefelista disse que vai enviar hoje um relatório para o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), ratificando suas denúncias e elencando provas.
- A adesão de outros deputados mostra que a preocupação é quase geral - disse ACM Neto.
O general Jorge Félix, ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), ao qual a Abin é vinculada, enviou ontem um ofício ao presidente da Câmara, Aldo Rebelo, pedindo que ACM Neto enviasse um relatório sobre o caso. Inicialmente, o GSI havia dito que as denúncias do deputado ''careciam de fundamento''.
O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (RS), disse não acreditar nas denúncias dos deputados e atribuiu o caso à elevação na temperatura da disputa política no Congresso nesta semana.
- É muito estranho que desencadeiem essa epidemia de grampos clandestinos. Parece um movimento de caráter político - disse.
Com Folhapress