Título: Dinheiro público desviado para o PT
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 04/11/2005, País, p. A2
Verba que Banco do Brasil destinou a empresa de Valério foi para o caixa do partido
O relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), anunciou ontem a descoberta do primeiro caso concreto de dinheiro público desviado ilegalmente para o esquema do mensalão. Uma verba do Banco do Brasil, no valor de R$9,1 milhões, destinada à agência DNA, de Marcos Valério Fernandes de Souza, para uso em ações de marketing, não teve um centavo sequer de aplicação comprovado. Esse dinheiro foi depositado no Banco de Minas Gerais (BMG) e posteriormente, de acordo com Serraglio, foi para o PT, sob a forma de um empréstimo pedido ao banco por Valério. Seria uma forma de esquentar os recursos. A empresa Visanet, por ordem do Banco do Brasil, realizou o pagamento com o dinheiro que pertencia ao banco, retirado de um fundo de investimentos em marketing da empresa de cartões.
O BB é dono de 33% da Visanet, como confirma a nota da empresa. O Banco do Brasil, usando linguagem formal, confirma que a quantia de R$ 9,1 milhões está até hoje ¿pendente de conciliação¿, o que significa a falta de comprovação do dinheiro entregue à DNA em forma de antecipação dos serviços. Na nota, o BB ¿condena eventuais desvios que possam ter ocorrido na destinação desses recursos¿ e avisa que já fez notificação extra-judicial à DNA, além de adotar as ¿medidas judiciais cabíveis¿. O BMG afirmou que os empréstimos seguiram estritamente as regras estabelecidas pelo Banco Central.
¿ Estamos comprovando que esses empréstimos de Marcos Valério ao PT eram fictícios e apenas mascaravam a verdadeira origem dos recursos ¿ reagiu Osmar Serraglio.
A comprovação da origem ilegal do dinheiro desmonta assim a tese até agora sustentada pelo PT e pelo Planalto de que a única irregularidade cometida pelo esquema do mensalão foi o uso do caixa dois, ou de ¿recursos não contabilizados¿, como gostava de afirmar Délúbio Soares, o tesoureiro expulso do partido.
Esta foi a segunda revelação mais importante surgida a partir dos investigações da CPI dos Correios. A primeira ¿ que resultou nos processos que podem levar à cassação de parlamentares ¿ referia-se à descoberta dos montantes retirados por eles ou por seus prepostos.
A oposição, mais uma vez, se agitou: ¿Isso é corrupção, formação de quadrilha¿, bradou o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ). Nas hostes do governo a reação mais forte partiu do deputado sub-relator da CPI dos Correios, Carlos Abicalil (PT-SP), que criticou Serraglio:
¿ Ele faz uma ilação e arrisca sua credibilidade ao divulgar fatos que podem ser contestados ¿ afirmou Abicalil.