Título: Avião fora das operações
Autor: Hugo Marques
Fonte: Jornal do Brasil, 06/11/2005, País, p. A7

Não é só a área de manutenção de helicópteros que provoca dores de cabeça dentro da Polícia Federal (PF). No mês passado, a corporação perdeu o melhor avião de sua frota. Trata-se do jato Citation 3, recolhido nas buscas e apreensões nas empresas do ''comendador'' João Arcanjo Ribeiro, apontado como chefe do crime organizado no Mato Grosso, que está preso no Uruguai. Decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) acabou retirando o avião das operações de combate ao crime organizado.

A autorização para o uso do avião de João Arcanjo no combate ao crime organizado, segundo a Polícia Federal, foi dada pelo juiz titular da 1ª Vara da Justiça Federal em Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva. Segundo a Polícia Federal, a decisão do TRF no mês passado impediu que a corporação continue usando o avião, que agora será arrendado para uma companhia aérea.

A PF recorreu à Advocacia-Geral da União (AGU) para tentar utilizar novamente o avião do ''comendador'', até agora sem sucesso. O avião era o mais rápido da corporação, permitindo agilidade em missões policiais. Além de perder seu principal avião, a PF não conseguiu em três vezes consecutivas trazer João Arcanjo para o Brasil. ''Comendador'' estaria fazendo pressão para permanecer preso no Uruguai. Os policiais da PF dizem que Arcanjo não quer enfrentar as más condições dos presídios brasileiros.

Ao todo, a PF tem 10 aviões e 5 helicópteros. Com a perda do avião de Arcanjo, a PF fica ao todo com 11 aeronaves, já que dois helicópteros Bell não têm contrato de manutenção e outro helicóptero Helibrás caiu no ano passado e está em reforma. Os dois helicópteros Bell também estão na lista das melhores aeronaves.

A Justiça uruguaia autorizou a extradição do brasileiro. O Tribunal de Apelações também concedeu a extradição do ''comendador'', mas a defesa dele garantiu que apelará da sentença. Arcanjo é ex-policial civil e responde a crime de homicídio, formação de quadrilha, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e contrabando. Ele foi preso no Uruguai, em 10 de abril de 2003.