Título: Documentos prontos para liberação
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 09/11/2005, País, p. A7
O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) , Jorge Félix, anunciou ontem que dois grupos de documentos sigilosos referentes ao período do regime militar (1964-1985) já estão prontos para serem liberados. Segundo Félix, há mais de um ano que estes documentos esperam liberação do governo. Mas os relatórios devem passar por rigorosos procedimento de triagem antes de se tornarem públicos.
- Há muito tempo estes documentos estão prontos. Agora só falta a determinação do governo para que venham a público - informou Jorge Felix.
De acordo com o ministro, os relatórios que devem ser liberados pelo governo são arquivos dos processos de cassações por motivos políticos. A segunda parte dos documentos referem-se às informações mais polêmicas, pois possuem dados sobre a extinta Comissão Geral de Investigação. A existência de informação pública e privada nos arquivos impede, segundo o ministro, o acesso a todos documentos. Por isso, os arquivos devem ser analisados e passar por triagem antes da liberação.
- São arquivos do antigo Serviço Nacional de Informações, documentos de Estado que não devem ser liberados. Existem relatórios sobre centenas de milhares de pessoas. Calculo de dois a três milhões de páginas de documentos - informou Jorge Félix.
Segundo o ministro, alguns documentos precisam ainda ser processados, isto é, formatados e higienizados, para depois serem remetidos ao Arquivo Nacional. Ele voltou a ressaltar a importância de preservar dados pessoais dos envolvidos.
- Estes documentos dizem respeito a pessoas. Só elas têm direito de acesso. Não nos cabe fazer julgamento de valor, se as informações contidas nestes documentos são verdadeiras ou não. A Agência Brasileira de Inteligência já emitiu cópias para pessoas envolvidas ou seus familiares - argumentou.
Jorge Félix negou que as Forças Armadas estejam sonegando acesso às informações contidas em seu arquivo.
- As Forças Armadas não são problema do Gabinete de Segurança Institucional, mas sim do Ministério da Defesa. Elas não respondem ao gabinete - negou.