Título: País vive mais um dia violento, apesar de redução de incidentes
Autor:
Fonte: Jornal do Brasil, 09/11/2005, Internacional, p. A8
O país viveu ontem mais um dia de violência, apesar de uma redução dos conflitos nas periferias do país. Houve incidentes em 226 municípios, comparados aos 274 da noite anterior. Na madrugada de segunda para terça, 1.173 veículos foram queimados em toda a França, aumentando para cerca de seis mil o total de carros destruídos. O mais grave incidente aconteceu em Toulouse, onde um jovem teve a mão amputada depois da explosão de uma granada que ele recolhera do chão.
Um total de 10.200 agentes de segurança estiveram a postos durante a noite, dois mil a mais do que na véspera. Apesar dos eventos, a polícia nacional disse ter detectado uma tendência ''na boa direção'' para o restabelecimento da ordem. Ao todo, 330 pessoas foram detidas, 65 a menos que na segunda-feira.
- A intensidade da violência está diminuindo - afirmou o chefe da Polícia Nacional, Michael Gaudin, destacando que houve redução dos ataques a prédios e carros, além do menor índice de confrontos entre jovens e agentes de segurança.
A redução da violência foi mais sensível nos subúrbios de Paris, onde houve diminuição de 43% dos incidentes em relação ao dia anterior. Nas demais regiões do país, a diminuição dos protestos ficou em apenas 5%.
Policiais, que haviam encontrado no fim de semana uma fábrica de coquetéis molotov nas proximidades de Paris, descobriram ontem diversos lotes do produto, montados por ''uma organização de adultos que utilizava crianças''.
Em Marselha, cerca de 50 jovens tentaram saquear um hipermercado, quebrando os vidros da porta e queimando contêineres. Já em Sevran e Lille-Fives, na periferia da capital francesa, escolas foram incendiadas. No município de Vitry-sur-Seine, jovens atacaram um hospital com bombas de gasolina. Ninguém ficou ferido.
Os manifestantes atacaram ainda postos policiais em Chenove e em Côte D'Or e atearam fogo em carros em Toulouse, cidade no Sudoeste da França. A violência eclodiu logo depois que o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, se reuniu com policiais na área para discutir a aplicação das medidas adotadas ontem pelo governo.
A onda de violência começou no dia 27 de outubro, quando dois adolescentes morreram eletrocutados ao se esconderem num transformador elétrico em Clichy-sous-Bois, subúrbio de Paris. As mortes foram o estopim para a insurreição das 'banlieues' (periferias). Os manifestantes, em sua maioria de origem árabe ou africana, reclamam da falta de oportunidade para as minorias, escancarando o fracasso francês nas políticas de integração de imigrantes.
Os estragos da explosão de violência são os piores desde a II Guerra Mundial. Os ataques simultâneos em quase 300 pontos do país é sem precedentes nos últimos 60 anos.
Na Bélgica, onde carros também foram incendiados, autoridades descartaram que a onda de violência tivesse chegado ao país.