Título: Nova carga contra venda da VarigLog
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 12/11/2005, Economia & NEGÓCIOS, p. A19

Concorrentes questionam nacionalidade de novos controladores da empresa. Aerus endurece contra Varig

A venda de VarigLog e Varig Engenharia e Manutenção (VEM) ainda está longe de estar garantida. Ontem, o Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) protocolou requerimento no Departamento de Aviação Civil (DAC) com 46 perguntas sobre a venda das duas subsidiárias para a empresa Aero-LB, controlada pela portuguesa TAP, pela companhia GeoCapital, de Macau, e pelo fundo brasileiro Stratus. O principal questionamento feito pelo Snea diz respeito à origem do novo controlador da VarigLog. Apesar de a negociação ter sido aprovada pelo DAC, o sindicato argumenta que o Stratus terá a minoria do capital total, o que significa, na visão do Snea, que o controle ficará na mão de estrangeiros. - O fundo terá 80% do capital votante e 27% do total. Não questionamos a idoneidade do Stratus, mas como eles vão controlar uma empresa com apenas 27% do capital? - questiona Geraldo Vieira, sócio do Vieira e Mollo Advogados, que representa o Snea. No requerimento, o Sindicato afirma que ''as informações de que o DAC autorizou a transferência da titularidade do capital social da VarigLog para uma SPE, controlada de fato pela TAP e pelo fundo de investimentos GeoCapital, pode resultar na desnacionalização da empresa brasileira (...), com graves implicações para todas as demais empresas brasileiras do setor''. Além disso, Vieira lembra que a GeoCapital já enfrentou denúncias de lavagem de dinheiro, o que teria impedido a empresa de iniciar operações na América do Norte. Segundo ele, o DAC terá 15 dias para esclarecer as dúvidas levantadas pelo Snea. Depois disso, o Sindicato poderá entrar na Justiça Federal ou até mesmo no Superior Tribunal de Justiça com pedido de liminar contra a venda. Procurado, o DAC disse não ter recebido o requerimento do Snea. A TAP alega que o documento do Snea é uma ''reação natural e já esperada, pois a concorrência da Varig já contava ocupar todo o espaço da companhia''. O Aerus, fundo de pensão que é o maior credor privado da Varig, foi mais um a endurecer contra a empresa brasileira. A instituição enviou ao juiz Luiz Roberto Ayoub, que acompanha o processo de recuperação judicial da companhia aérea, documento com a justificativa de seu voto favorável à alienação das subsidiárias. Na petição, o fundo diz que ''o modus operandi da Varig não foi compatível com o de uma empresa que se encontra em recuperação judicial. Os credores foram completamente alijados de participar no processo de alienação e escolha do investidor com relação aos dois ativos de grande importância. Os credores tiveram que aprovar uma proposta sem que houvesse contrato ou minuta de contrato, sem que tivessem conhecimento do teor das demais propostas''. - Deixamos claro para a direção da empresa que daqui para frente tudo vai ter que voltar aos trilhos. As decisões terão que passar antes pelos credores - diz o diretor-presidente do Aerus, Odilon Junqueira.