Título: Empresários em conflito por Palocci
Autor: Samantha Lima
Fonte: Jornal do Brasil, 18/11/2005, Economia & Negócios, p. A17

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, tornou-se ontem, inesperadamente, responsável por um tiroteio verbal, de caráter regional, entre pares do setor industrial. Ao reforçar ontem a defesa da política econômica oficial, o presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugênio Gouvêa Vieira, criticou duramente Paulo Skaf, atual número um da Fiesp, que na quarta-feira afirmara, em nota oficial, que a saída de Palocci ''em nada influenciaria os rumos da economia''.

Segundo o presidente da Firjan, ''a saída do ministro Palocci seria altamente danosa para o país''. Além de afirmar que Skaf só ''representa o pensamento de uma parte do empresariado paulista'', as opiniões do executivo, segundo ele, não refletiriam o que pensa a totalidade do empresariado nacional. Ao defender o que classificou de ''moldura econômica'' atual, o presidente da Firjan desafiou críticos da política monetária a apresentar alternativas ao país, e a não reeditar o ''imposto indecente'' da inflação, que seria responsável pela ''brutal'' e ''imoral'' concentração de renda.

- Existe uma estrutura de representação empresarial e ele (Skaf) tem legitimidade para falar por parte dos industriais de São Paulo. Mas a Fiesp não é o Brasil. A imprensa mesmo tem divulgado a desconcentração econômica que tem ocorrido nesse país. Se vê claramente como a renda tem sido levada para o interior e como outros estados se desenvolveram muito bem - afirmou Gouvêa Vieira, que prosseguiu nas alfinetadas a Skaf: - Nós sabemos o que se passa no Brasil.

O presidente da Firjan admitiu, porém, a existência de espaço para ajustes pontuais na política econômica. Citou, como exemplo, a necessidade de melhorar a qualidade do ajuste fiscal, que tem sido produzido a partir do aumento de receitas com impostos. Segundo ele, o superávit primário precisa decorrer principalmente do corte de gastos públicos. O executivo defendeu, no entanto, a manutenção da Lei de Responsabilidade Fiscal e do regime de metas de inflação, que compõem aquilo o que denominou de ''moldura econômica''.

Durante a entrevista, sobraram estocadas também para o vice-presidente José Alencar, que tem feito críticas à política monetária oficial.

- Ele (o vice-presidente José Alencar) sugeriu o quê? Você já ouviu qual política ele sugere? - questionou o executivo.