Título: Prejuízo da Varig mais que dobra no ano
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 18/11/2005, Economia & Negócios, p. A20

As 16 aeronaves paradas, a apreciação do real e as dificuldades enfrentadas durante a recuperação judicial elevaram o prejuízo do Grupo Varig para R$ 778,13 milhões nos nove primeiros meses do ano, contra R$ 305,48 milhões de janeiro a setembro de 2004 - um aumento de 155%.

Segundo o diretor de Controladoria e Relação com Investidores da Varig, Ricardo Bullara, o pedido de recuperação judicial cortou a relação de desconto de recebíveis de cartão de crédito mantida com vários bancos, afetando o fluxo de caixa da companhia. Além disso, várias empresas passaram a cobrar à vista ou adiantado por serviços antes parcelados, principalmente na compra de combustível.

- Ao mesmo tempo, as aeronaves paradas nos impediam de gerar receita - diz Bullara.

De acordo com o diretor, a apreciação do real reduziu em 3% os valores absolutos da receita nos nove primeiros meses do ano, já que cerca de 60% da renda da Varig com venda de passagens são feitas em moeda americana.

Ainda pesaram o endividamento do grupo com a Receita Federal, a alta do combustível - que no ano acumula 18% e representa 39% dos custos totais -, passivos atuariais de R$ 333 milhões do Aerus e R$ 114 milhões de provisões.

Ontem, o presidente do Conselho de Administração da Varig, David Zylbersztajn, revelou que pelo menos cinco empresas demonstraram interesse em apresentar ofertas para adquirir VarigLog e Varig Engenharia e Manutenção (VEM). Advogados da empresa informaram que as propostas vêm de investidores que já tinham demonstrado interesse nas duas companhias.

As propostas deverão ser enviadas à Varig até o próximo dia 9 de dezembro, quando será escolhida a melhor. A Varig terá então até o dia 12 para comunicar a opção à TAP, que terá o direito de fazer uma contraproposta até o dia 19 de dezembro, data em que deverá ser aprovado o plano de recuperação judicial definitivo da aérea.

Zylbersztajn também disse que a Fundação Getúlio Vargas (FGV) finaliza a atualização dos valores da ação judicial referente ao congelamento de tarifas nos anos 80 e 90.

- A FGV utilizou a mesma metodologia da Receita Federal. Os valores ficaram próximos aos da dívida que a Varig tem com a União - disse Zylbersztajn, referindo-se aos débitos da companhia com o INSS e a Receita Federal, que beiram os R$ 4,5 bi.

Nesse caso, a Varig aguarda o julgamento de um embargo de divergência no Superior Tribunal de Justiça (STJ), esperado para 14 de dezembro.

Na quarta-feira, foram demitidos 100 pilotos da Rio Sul, que operavam aviões Embraer-145, não mais utilizados pela empresa. Eles estavam protegidos por um acordo que venceu no dia 5, mas na prática não voavam há dois anos, explicou Zylbersztajn.