Título: CPI tirou contratos de Duda
Autor: Por Augusto Nunes*
Fonte: Jornal do Brasil, 08/11/2005, País, p. A2
Depois de absolvido por Lula na desconcertante entrevista concedida na França, o "caixa dois" voltou a figurar entre as práticas condenadas. "Precisamos acabar com isso, é crime", admitiu. "É melhor usar dinheiro público no financiamento de campanhas eleitorais que conviver com a prática de ilegalidades". O presidente se rende às evidências de que as coisas foram muito além do caixa dois? Ainda não: "As CPIs, o Ministério Público e a Polícia Federal não terminaram as investigações", recitou. Não estaria na recente divulgação de maracutaias envolvendo o Banco do Brasil e o valerioduto uma das pontas do escuro novelo? "Existe a versão da CPI, que a meu ver foi divulgada precipitadamente, e a versão do Banco do Brasil. Vamos ver qual é a verdadeira." O presidente tampouco aceita a tese segundo a qual o presidente do PL, ex-deputado Waldemar Costa Neto, pode ter enlameado a campanha eleitoral de Lula com dinheiro emprestado por fora pelo PT. "O PL não estava na minha campanha, a disputa era entre o candidato do PT e o José Serra", confundiu-se Lula. Ele deve ter-se esquecido de que o PL estava na campanha, sim. Representado pelo vice-presidente José Alencar, então filiado ao partido.
A fortuna em dólares recebida em contas no exterior por Duda Mendonça, o marqueteiro da vitória, não configura grossas bandalheiras? "Isso será apurado". E por que Duda já foi punido com as contas de publicidade do Planalto? "Eu não poderia manter sob contrato alguém envolvido na CPI", sobe o tom o entrevistado. Se outros são beneficiários da dúvida, por que não Duda? "Não sei dos outros contratos dele, é possível que mantenha a conta de outras empresas do governo", abranda Lula. Pela ênfase, Duda não ficou bem no retrato.
Joga no time dos traidores? Lula não esclareceu. Se jogar, estará formando uma dupla poderosa com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, um dos poucos abertamente criticados durante a entrevista.