Título: Um pai com orgulho do empresário
Autor: Por Augusto Nunes*
Fonte: Jornal do Brasil, 08/11/2005, País, p. A2
O presidente acha normal a associação que levou a Telemar a investir R$ 5 milhões na empresa do filho Fábio Luiz, o Lulinha, até então com um minguado capital de R$ 10 mil? ¿E por que não?¿, aborreceu-se Lula? A Telemar não é uma empresa pública, é privada. ¿E todos vocês certamente se lembram como foi essa privatização¿, ironizou. Se resolveu investir em outra empresa foi por ter achado um bom negócio. ¿Dois produtos da empresa do meu filho estão na televisão e dão mais Ibope que a MTV¿, comparou. Pelo visto, deve andar conversando mais amiúde com Lulinha. Esses assuntos o incomodam visivelmente, mas não lhe tiram o prazer de ser presidente. ¿Criticam até o AeroLula, como se fosse algum avião que comprei pra mim¿, lastimou. O avião ajudou a disseminar a versão de que o presidente tem trabalhado pouco, Lula concorda? ¿Pois nenhum governante trabalhou mais do que eu¿, informou. ¿E durante as viagens trabalho muito mais¿.
Apesar dessas injustiças, repetiu, vale a pena governar este país. Claro que vale. Mas talvez um só mandato esteja de bom tamanho, ressalvou com uma espécie de ênfase nunca percebida em declarações anteriores. ¿Sempre fui contra a reeleição¿, argumentou. ¿E o segundo mandato nunca é melhor que o primeiro. Vejam o caso do Fernando Henrique Cardoso. Vejam o que o Bush tem passado. É até possível que eu me candidate. Mas preferia um mandato só, podem acreditar¿. Se é assim, fica difícil entender aquela bravata famosa: ¿Eles vão ter que me engolir!¿. Engolir de que forma? Quem são eles? ¿Você faz sempre as perguntas depois de tirá-las do contexto, e cita minhas frases pela metade¿, repreendeu Lula. ¿Eu estava em Garanhuns, no Agreste pernambucano, e me perguntaram o que ocorreria se resolvesse ser candidato¿. Certo. Tudo esclarecido.
Terminado o programa, Lula despediu-se sorrindo, voltou a falar do Corinthians e prometeu ser mais acessível à imprensa. O sorriso pareceu sincero. O otimismo com seu time, também.
(*) Augusto Nunes é colunista do Jornal do Brasil e foi apresentador do programa Roda Viva, da TV Cultura