Título: Sigilo de Dantas mantido
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Fonte: Jornal do Brasil, 08/11/2005, País, p. A4

Os parlamentares da CPI dos Correios demonstraram ontem irritação com a decisão da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie, que na sexta-feira que abriu mais prazo para que eles indiquem vínculo entre o Banco Opportunity - do banqueiro Daniel Dantas - com as empresas DNA e SMPB, de Marcos Valério Fernandes de Souza.

Na prática, dizem os parlamentares, a reabertura de prazo feita pela ministra do STF acaba protelando decisão sobre o mandado de segurança impetrado pelos advogados de Dantas, para que a CPI não tenha acesso ao disco rígido do banco. A CPI do Mensalão também aprovou acesso ao disco rígido. A ministra, no entanto, pediu aos parlamentares que mostrem ''a necessidade'' de acesso ao disco rígido do Opportunity, recolhido pela Polícia Federal (PF) durante a Operação Chacal.

A crítica mais contundente foi feita pelo senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Para o senador, alguns membros do STF ''vêm colocando obstáculos'' às investigações da CPI. Além de não permitir o acesso ao disco rígido do Opportunity, Dias lembra de decisões que para ele também ajudaram a protelar o julgamento dos parlamentares que integram a lista de sacadores de Valério.

- O STF coloca obstáculos, ora impedindo, ora retardando os procedimentos. Não creio que possa haver motivos para não liberar o disco rígido do Opportunity. É legalismo em excesso - afirmou o tucano.

A líder do PT no Senado, Ideli Salvati (PT-SC), afirma que existe uma ''documentação substancial'' para provar as ligações de Dantas com Valério. Ideli também lamentou que a CPI ainda não tenha tido acesso ao disco rígido, apreendido pela PF no ano passado e guardado no Instituto Nacional de Criminalística da PF.

- Quando é assunto ligado a Daniel Dantas, nada é simples. É impressionante como se segura a investigação. É necessário levantar as oportunidades que Marcos Valério estava tentando abrir para Dantas - atacou Ideli.

Em seu despacho sobre o Opportunity, a ministra Ellen Gracie acredita ser possível que ''a sofisticada engenharia empresarial de formação do grupo se tenha prestado à dissimulação contábil de operações nebulosas''. Mas a ''formatação escalonada'' do Grupo Opportunity, diz a ministra, torna necessário que as investigações obedeçam seus ''níveis sucessivos''. Para a ministra, o chamado Grupo Opportunity não se confunde com o Banco do mesmo nome ou com o Opportunity Fund.

Sob a denominação Grupo Opportunity, informa a ministra, convencionou-se agregar diversas empresas originalmente submetidas à gestão do Banco Opportunity, presidido por Daniel Dantas. A CPI deverá informar novamente à ministra que as empresas Telemig Celular e Amazônia, ainda administradas pelo Opportunity, injetaram R$ 150 milhões nas empresas de Valério.