Título: Fidel Castro desmente dado da CIA
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Fonte: Jornal do Brasil, 19/11/2005, Internacional, p. A12

Com pulso firme, para denunciar um informe da CIA que lhe atribuiu o Mal de Parkinson, o presidente de Cuba, Fidel Castro, disse estar em ótimo estado de saúde aos 79 anos, durante um discurso de quase seis horas que apresentou, também, características de um testamento político.

- Sinto-me melhor do que nunca - disse o líder da revolução cubana em tom enérgico num ato na quinta-feira à noite, durante a Aula Magna da Universidade de Havana, em homenagem ao 60º aniversário do início de seus estudos universitários.

Castro, que, antes de entrar no recinto, exibiu saúde caminhando entre centenas de jovens que o aplaudiam, dedicou, de forma pouco usual, uma parte de seu discurso à sua vida pessoal e falou em sucessão.

De pé o tempo todo e sem mostrar sinal de fadiga, o presidente cubano se referiu com ironia à reportagem publicada na quarta-feira no jornal The Miami Herald , segundo a qual a Agência Central de Inteligência (CIA) advertiu os políticos americanos de que em 1998 Castro recebeu um diagnóstico de Mal de Parkinson.

- Vamos ver como está o Mal de Parkinson? - brincou, fazendo um gesto de quem dispara uma pistola e estendendo sua mão direita a um auditório que aplaudiu empolgado.

Também garantiu estar recuperado das lesões no joelho esquerdo e no braço direito, fraturados numa queda no dia 20 de outubro de 2004 num ato público na cidade de Santa Clara.

- Disseram que eu tinha Parkinson. Todos os dias me matam. No dia em que eu morrer de verdade, ninguém acreditará. Aqueles que me mataram tantas vezes devem ter uma desilusão após a outra. Eu poderia andar como o Cid Campeador, ganhando batalhas depois de morto - disse, referindo-se ao herói espanhol Rodrigo Diaz, o El Cid, cujo exército ganhou batalha histórica ''liderado'' pelo líder já morto, amarrado a um cavalo.

Mas o presidente cubano fez questão de falar sobre sua morte e o futuro da revolução cubana ao se referir à inevitável mudança de gerações e assegurar que tudo já está preparado para deslanchar o processo de sucessão.

- Temos medidas tomadas e outras previstas para que não haja nenhuma surpresa. Nosso povo deve saber o que fazer em cada caso. Não vamos contar a ''Bushecito'' (o presidente americano George Bush) quais as medidas que tomaremos em cada caso - advertiu o líder, que já designou seu sucessor: o irmão Raúl, de 74 anos.

Como de costume, o presidente também falou sobre a revolução socialista cubana, ocorrida há 47 anos, e fez várias autocríticas.

- Este país pode se autodestruir, esta revolução pode se autodestruir. Os que não podem destruí-la são eles (Estados Unidos).

Por fim, anunciou planos para o futuro da ilha,que incluem um forte ajuste econômico e uma guerra sem tréguas contra a corrupção e a ilegalidade que arruinam a sociedade e o sistema comunista da ilha.