Título: Nova guinada de rumo na Varig
Autor: Rafael Rosas
Fonte: Jornal do Brasil, 19/11/2005, Economia & Negócios, p. A17

O comando da Varig não resistiu às recentes críticas em relação ao processo de recuperação judicial da companhia aérea. O Conselho de Curadores da Fundação Ruben Berta (FRB) afastou ontem quatro integrantes do Conselho de Administração da empresa. Foram demitidos o presidente, David Zylbersztajn, Eleazar de Carvalho Filho, Marcos Azambuja e Omar Carneiro da Cunha. A FRB indicou apenas um conselheiro para o lugar dos quatro afastados. O novo integrante será Humberto Rodrigues Filho, ex-diretor de logística da Varig.

A presidência da empresa, no entanto, continua com Carneiro da Cunha, que está no exterior e retorna ao Brasil apenas na segunda-feira. Os quatro conselheiros remanescentes - Sergio Ferolla, Sérgio Bruni, Harro Fouquet e Gesner Oliveira - e Rodrigues Filho não confirmaram a data em que debaterão a provável mudança na presidência da Varig.

O presidente do Conselho de Curadores da Fundação Ruben Berta, Osvaldo Cesar Curi, negou a existência de divergências entre conselheiros e curadores e afirmou que a decisão segue o fato relevante publicado pela FRB nos principais jornais do país no último dia 13 de outubro e que previa mudanças nos Conselhos de Administração das três empresas em recuperação judicial - Varig, Rio Sul e Nordeste.

- A decisão foi profissional. Os conselheiros que saem da companhia se esforçaram e fizeram um bom trabalho - afirmou.

Curi não quis comentar o balanço financeiro da companhia, publicado na quarta-feira, que mostrou prejuízo de R$ 778,13 milhões no acumulado do ano até setembro, contra R$ 305,48 milhões nos nove primeiros meses de 2004.

- Não gostaria de comentar o passado, mas apenas o futuro - disse, garantindo que o criticado processo de venda da VarigLog e da Varig Engenharia e Manutenção (VEM) para a Aero-LB (empresa formada por TAP, GeoCapital e pelo fundo Stratus), por US$ 62 milhões, seguirá normalmente. - O processo de mudança do controlador da Varig também continua.

O juiz Luiz Roberto Ayoub, responsável pelo processo de recuperação judicial da empresa no Tribunal de Justiça do Rio, viu com naturalidade a mudança na administração da Varig.

- Acho muitíssimo normal a mudança no gerenciamento de empresas, principalmente em recuperação judicial. Não percebo nenhum resultado negativo capaz de comprometer o processo - garantiu.

Ayoub lembrou que o plano de recuperação foi apresentado pela Varig e a alteração no comando não muda o andamento da venda de VarigLog e VEM.

- Não é a administração que decide o destino da empresa, mas os credores, que serão os responsáveis por aprovar o plano que está sendo preparado pela companhia - ressaltou.

A saída dos quatro conselheiros também foi bem vista por parte dos credores da empresa aérea. Márcio Marsillac, coordenador do Trabalhadores do Grupo Varig (TGV), que engloba as associações de funcionários da companhia, criticou o andamento do processo de recuperação e aprovou o afastamento dos executivos, chamados na empresa de ''notáveis'', em referência a outros cargos que ocuparam ao longo de suas carreiras (Zylberstajn dirigiu a Agência Nacional do Petróleo; Eleazar presidiu o BNDES; e Cunha, a Shell).

- A situação da empresa é delicada. O processo pode fazer água se a controladora não colocar alguém na companhia que traga uma gestão profissional. Mas a mudança foi positiva, pois o mercado e os credores estavam insatisfeitos com a administração até então - disse.