Título: Receitas para 2006
Autor: Juliana Rocha
Fonte: Jornal do Brasil, 22/11/2005, País, p. A5

O coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) foi um dos mais aplaudidos no seminário Resgatando a Dignidade. Em meio a contundentes críticas ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, e ao governo Fernando Henrique Cardoso, Stédile deu um aviso aos candidatos à Presidência em 2006:

- Na História do Brasil a população se comporta em ciclos, houve períodos de ascensão do movimento de massas e depois de refluxos. Estamos num refluxo, mas temos certeza de que em algum momento do próximo governo a população vai sair dessa letargia. Independente de quem ganhe, o próximo governo será mais frágil do que esse e terá um movimento de massas para fazer mudanças no país - profetizou o líder do MST.

Segundo Stédile, para se discutir a ''dignidade'' é preciso antes avaliar a política econômica, que, de acordo com ele, é a maior causadora do desemprego no país.

- Não se pode falar em dignidade numa sociedade que não garante a seus pares nem o direito de ser explorado, de trabalhar - analisou.

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luiz Fux, fez uma profunda análise do que chamou de ''dignidade da pessoa humana'', criticando a atuação de alguns juízes que se preocupam mais com o curso do processo legislativo do que com a justiça da causa.

- A verdadeira tarefa do magistrado é antes de tudo dar uma sentença justa, digna, para depois dar uma roupagem legal a ela. Hoje, o que se preconiza para que a Justiça tenha aceitação é que o juiz leve em conta a dignidade da pessoa humana - afirmou Fux.

O presidente da Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro, Orlando Diniz, também criticou a política econômica de Palocci, e defendeu sobretudo o amplo acesso à educação de qualidade.

- Precisamos garantir o amplo acesso à educação, ao crédito e à informação de qualidade, esse é o único caminho para reduzirmos as desigualdades - disse. (P.C.P.)