Título: Preconceito em pauta
Autor: Juliana Rocha
Fonte: Jornal do Brasil, 22/11/2005, País, p. A5

O preconceito contra as mulheres, os negros e os índios foi um dos principais pontos do seminário. A ministra da Secretaria Especial de Políticas para Mulheres, Nilcéa Freire, criticou especialmente o fato de as leis que protegem as mulheres não terem efetividade prática. Segundo ela, uma das fontes do problema é que apesar de serem 52% da população brasileira, as mulheres ocupam apenas 9% das cadeiras do Congresso.

- Os avanços no ordenamento jurídico não correspondem na prática a mudanças no cotidiano. Só políticas públicas poderiam mudar isso - avisou.

Segundo a ministra, a cada 15 segundos uma mulher sofre algum tipo de agressão no país. O grande drama, de acordo com Nilcéa, é que apesar de terem direitos garantidos na Constituição, as mulheres não conseguem exercê-los.

- Nenhuma promessa mais é necessária. Queremos apenas que sejam cumpridos os compromissos assumidos - pediu.

Ex-reitora da Uerj, Nilcéa foi a responsável pela implementação da política de cotas para negros na universidade. A medida serviu de bandeira da palestra do fundador do Educafro, Frei David. Segundo o religiosos, que trabalha há 25 anos contra o preconceito contra afrodescendentes, estudos recentes mostram que, na Uerj, os alunos que entraram pelo sistema têm rendimento melhor do que os que entraram pelo sistema convencional.

- O vestibular não mede a capacidade, mas o poder econômico do candidato, privilegiando quem pode pagar escolas particulares e cursinhos caros - criticou Frei David.

O Coordenador Geral de Índios Isolados da Fundação Nacional do Índio, Sydney Possuelo, revelou o drama dos povos isolados - pequenas comunidades indígenas que vivem como há 500 anos - mas que estão acabando pela ação da agricultura da soja, da pecuária e das madeireiras.

- Se o negro é marginalizado, o índio é pisado, achincalhado. Muitos deles estão morrendo lentamente pedindo esmolas e nós não tomamos uma atitude - atacou Possuelo.