Título: Juros puxam críticas
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Fonte: Jornal do Brasil, 13/11/2005, Economina & Negócios, p. A18

Na Comissão de Defesa do Consumidor da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), as principais reclamações dos clientes dizem respeito aos juros cobrados, seguidos pelas tarifas bancárias e as longas filas. As instituições que lideram as reclamações são o Banco Itaú, Fininvest, a IBI Card, Credicard e Unibanco.

- Na questão de juros abusivos, as instituições costumam alegar que estão apenas repassando juros, já que os valores emprestados são captados no mercado. Mas, além de não prestar essa informação de forma mais clara aos clientes, raramente as instituições conseguem comprovar essa alegação quando há um processo. Por que as operadoras de cartões, por exemplo, não buscam os menores juros do mercado em benefício do cliente? Não procuram porque, na verdade, as instituições usam recursos próprios. E quando é feita a perícia judicial, sempre fica comprovada a cobrança de juros sobre juros - afirma o advogado Carlos Vaz, da Associação de Proteção e Defesa do Crédito do Consumidor (Prodeccon).

Líder no ranking de reclamações, o Itaú respondeu que a maioria das queixas na Alerj diz respeito à renegociação de dívidas. ''O Itaú é o maior banco no Rio e, naturalmente, essa participação pode estar também influenciando sua posição no ranking'', informou em nota.

Já em relação às queixas sobre filas, segundo a coordenadora da Comissão de Defesa do Consumidor da Alerj, Mery Straub, são campeões de reclamações o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. Mas todos os bancos apresentam o mesmo problema, explica Mery.

- Os clientes telefonam de dentro do banco, pedindo fiscalização para o cumprimento da lei dos 15 minutos. Normalmente, depois de já estarem aguardando há pelo menos 30 minutos, ou porque só há um caixa atendendo e a fila não anda - comenta.

Nos estados de São Paulo e Bahia, o atendimento em até 10 minutos passou a ser cobrado também pelos governos estaduais, e instituições chegaram a ser punidas.