Título: Iraquiana presa tentou explodir hotel em Amã
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Fonte: Jornal do Brasil, 14/11/2005, Internacional, p. A7
Uma iraquiana sob custódia da Jordânia revelou, em uma entrevista na televisão, que tentou se explodir junto com o marido em um dos três hotéis de Amã que foram atingidos por atentados na semana passada. Mais de 50 pessoas morreram. - Entramos no hotel. Ele pegou um caminho e eu, outro. Um casamento acontecia e crianças e mulheres estavam presentes - contou Sajidaal-Rishawi à emissora de TV do governo jordaniano.
A suspeita, no entanto, não conseguiu realizar o ataque.
- Meu marido o executou. Eu tentei detonar a bomba e ela falhou. As pessoas correram e eu as acompanhei - contou Sajidaal, usando um lenço branco e vestido preto.
Três homens-bomba da Al Qaeda iraquiana se explodiram em três hotéis de luxo de Amã, na quarta-feira. O ataque foi um dos piores da Jordânia.
Os policiais confirmaram que o marido de Sajidaal era um dos três agressores, que atacaram simultaneamente os hotéis Hyatt, Radisson e Days Inn.
Não se sabe em quais circunstâncias aconteceu a confissão da mulher. Ela falou com sotaque iraquiano e disse ser de Ramadi.
Organizações internacionais de direitos humanos dizem que a polícia jordaniana extrai confissões sob pressão, mas a mulher falou calmamente. Na entrevista, ela se levantou e mostrou um plástico em volta do corpo, que pode ser a bomba não detonada.
A polícia diz que Sajidaal é irmã de Samir Mubarak Atrousal-Rishawi, que em vida foi ajudante do líder da Al Qaeda no Iraque, o jordaniano Abu Musab al Zarqawi.
Num comunicado, a Al Qaeda assumiu a autoria do atentado e disse que um casal e outros dois homens, todos iraquianos, haviam se explodido nos hotéis - usados por diplomatas e trabalhadores civis que operam na área. Muitos dos mortos, no entanto, foram jordanianos que participavam de casamentos.
O vice-primeiro-ministro jordaniano, Marwan al-Muasher, disse à imprensa que os quatro agressores eram da província iraquiana de Ambar, um centro da guerrilha sunita na fronteira com a Jordânia. Ramadi é a sua capital.
O político afirmou que os homens-bomba entraram no país quatro dias antes dos ataques e alugaram um apartamento num bairro de classe média em Amã. Cada um usou um cinto com 5 kg a 10 kg de explosivos.
Al-Muasher nomeou os homens-bomba como Safar Mohammed Ali,Rawad Jasim Mohammed Abid e o marido de Sajidaal, Ali Husseinal-Shimeri. Ele descartou o envolvimento de jordanianos.
O ministro do Interior do país, Awni Yarfas, disse que o governo vai incrementar as leis anti-terror.
- Estamos acelerando a aprovação de nova legislação para indiciar qualquer um que apóie o terrorismo, seja pela propaganda verbal ou com ações.
A Jordânia vinha sendo poupada dos ataques da Al Qaeda. Ela é aliada próxima dos Estados Unidos e uma das nações árabes que têm acordos de paz com Israel.
Mas as autoridades haviam alertado que Zarqawi havia enviado guerrilheiros para atacar fora do Iraque, inclusive na Jordânia.
Uma grande comunidade de exilados iraquianos vive no país e tem estimulado a economia local, dependente de ajuda externa. A Jordânia também é um centro para o esforço de reconstrução do Iraque.
Mas o apoio de Amã para a invasão da Coalizão liderada pelos EUA, em 2003, desagradou a alguns jordanianos. Vários são de origem palestina e contra a política americana no Oriente Médio.
As explosões da semana passada provocaram escândalo na população do país, com cerca de 5 milhões de habitantes. Milhares deles fizeram uma vigília com velas no sábado em frente ao Hyatt.
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que está em viagem pelo Oriente Médio e Ásia, é esperada hoje na Jordânia, numa parada especial.