Correio Braziliense, n. 21820, 13/12/2022. Política, p. 2

Petista lembra campanha de mentiras que sofreu



O discurso do presidente eleito Luiz Inácio Lula das Silva (PT) foi crítico ao governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). De acordo com o petista, ele enfrentou, na campanha eleitoral, uma máquina de desinformação, mentiras e de ataque às instituições, que tentou desqualificá-lo e emparedar o Poder Judiciário.

“Cumprimento cada ministro e cada ministra do STF e do TSE pela firmeza na defesa da democracia e da lisura do processo eleitoral nesses tempos tão difíceis”, observou.

Segundo Lula, o pleito presidencial não foi a oportunidade de haver um confronto “entre candidatos de partidos políticos com programas distintos. Foi a disputa entre duas visões de mundo e de governo. De outro lado, um projeto de destruição do país ancorado no poder econômico e numa indústria de mentiras e calúnias jamais vista ao longo de nossa história”.

Lula lembrou dos questionamentos à legitimidade das urnas, feitos por Bolsonaro e seus apoiadores nas redes sociais. “Os inimigos da democracia lançaram dúvidas sobre as urnas eletrônicas, cuja confiabilidade é reconhecida em todo o mundo”, afirmou. E acrescentou:

“Criaram obstáculos de última hora para que eleitores fossem impedidos de chegar a seus locais de votação. Tentaram comprar o voto dos eleitores, com falsas promessas e dinheiro farto, desviado do orçamento público”, destacou.

O presidente eleito citou os casos de assédio eleitoral, cujos vídeos circularam nas redes sociais, nos quais empresários ameaçaram funcionários de demissão caso não votassem em Bolsonaro. “Intimidaram os mais vulneráveis com ameaças de suspensão de benefícios, e os trabalhadores com o risco de demissão sumária, caso contrariassem os interesses de seus empregadores”, disse.

O petista frisou que “eles semearam a mentira e o ódio, e o país colheu uma violência política que só se viu nas páginas mais tristes da nossa história. E no entanto, a democracia venceu”. E lembrou o leque de partidos que o apoiou nas eleições.

“Uma verdadeira frente ampla contra o autoritarismo, que hoje, na transição de governo, se amplia para outras legendas, e fortalece o protagonismo de trabalhadores, empresários, artistas, intelectuais, cientistas e lideranças dos mais diversos e combativos movimentos populares deste país”, salientou. (LP e TM)