Valor Econômico, v. 20, n. 4968, 26/03/2020. Brasil, p. A10
Primeiro caso completa um mês e mortos já chegam a 57
Rafael Bitencourt
O Brasil completa hoje um mês do primeiro caso confirmado de pessoa infectada pelo novo coronavírus, registado na capital paulista. Ontem, o número de mortes relacionado à doença saltou de 46 para 57 e os casos confirmados subiram de 2.201 para 2.433, no período de 24 horas, segundo informou o Ministério da Saúde.
Ontem, o ministro da pasta, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que a evolução da pandemia neste primeiro mês está dentro da expectativa do governo. Ele avalia que, com a previsão de uso massivo de testes rápidos para detectar a covid-19, haverá uma alta nos registros de pacientes infectados, porém “cairá muito” a taxa atual de letalidade, que está em
O aumento de casos na região Sudeste, puxado por São Paulo e Rio de Janeiro, continua preocupando os gestores da área de saúde por representar localidades com alta densidade populacional. O boletim de casos mostrou que São Paulo, com 862 infectados e 48 óbitos, segue como o Estado com o maior impacto da doença, seguido do Rio de Janeiro, com outros 370 pacientes infectados e mais seis mortes relacionadas à covid-19.
Mandetta considera que o Rio Grande do Sul é outro foco de preocupação das autoridades sanitárias, por dois motivos: a grande quantidade de idosos e a proximidade do inverno. O Estado, junto a Pernambuco e ao Amazonas, registrou ontem a primeira morte pelo novo coronavírus.
A situação do Ceará, com 200 casos, é o terceiro Estado com o maior número de infectados. Mandetta disse que é preciso investigar se o aumento abrupto está relacionado à transmissão descontrolada ou ao fato do sistema de saúde estadual ter uma vigilância bastante “sensível”, eficiente na detecção de pacientes contaminados. Ele ressaltou que a rede de saúde do Estado é reconhecida por oferecer à população uma atenção primária “bem estruturada”.
Para hoje, o ministério promete apresentar uma plataforma mais detalhada para acompanhamento da evolução da pandemia no país. Também foi prometida uma projeção do comportamento do vírus nos próximos 30 dias.
Ontem, o secretário da ciência, tecnologia e insumos estratégicos da pasta, Denizar Vianna, anunciou que o governo vai autorizar o uso das substâncias cloroquina e hidroxicloroquina em casos graves. Segundo ele, serão distribuídos 3,4 milhões de unidade desse medicamento aos hospitais em todo país.
Vianna ressaltou que o medicamento não deve ser usado na prevenção contra covid-19. O alerta também foi feito pelo ministro da Saúde. As substâncias cloroquina e hidroxicloroquina em casos graves. Segundo ele, serão distribuídos 3,4 milhões de unidade desse medicamento aos hospitais em todo país.
Vianna ressaltou que o medicamento não deve ser usado na prevenção contra covid-19. O alerta também foi feito pelo ministro da Saúde. Os dois participaram da divulgação do balanço de casos da doença no Brasil.
Ontem, Mandetta afirmou que serão liberados mais R$ 600 milhões para municípios reforçarem o atendimento. Ele se queixou do cancelamento de voos domésticos, o que tem dificultado a distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs) a Estados das regiões Norte e Nordeste.
Ao falar da preocupação com a falta de leitos de CTIs, o ministro afirmou que a taxa de ocupação caiu recentemente entre 30% a 40%. Ele ressaltou que o Brasil tem uma quantidade “muito expressiva” de quartos hospitalares dedicados ao acolhimento de pacientes com estado grave.
“Se soubermos fazer um bom uso, vamos conseguir acomodar um número muito grande de pessoas com o que já temos”, disse o ministro.
O secretário-executivo da pasta, João Gabbardo dos Reis, destacou que os fabricantes nacionais de respiradores mecânicos, que auxiliam a respiração de pacientes com sintomas graves da doença, trabalham “24 horas por dia” para entregar as encomendas do governo. O primeiro lote, segundo ele, será disponibilizado em 30 dias.
Gabbardo disse que a encomenda de respiradores feita à China chegará num prazo menor, até 10 dias. Ele registrou que, entre 540 respiradores já adquiridos, 200 foram enviados para os Estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.