Correio Braziliense, n. 21822, 15/12/2022. Economia, p. 8
Mais nomes para a Esplanada
Henrique Lessa
Mesmo sem anúncios oficiais de novos ministros pelo presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o desenho da Esplanada para o próximo governo vai se revelando conforme Lula realiza os convites. Fontes próximas ao deputado eleito Luiz Marinho confirmaram ontem que ele aceitou o convite de Lula para comandar a pasta do Trabalho. Em Brasília, Lula recebeu no hotel onde está hospedado Josué Gomes que teria recebido convite para comandar o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). O empresário é filho de José Alencar, que foi vice-presidente da República nos dois mandatos de Lula.
Diversas fontes apontam o nome de Marinho como certo, Gomes, que atualmente preside a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), não teria ainda respondido ao presidente eleito se aceita o cargo.
Marinho, que foi sindicalista e presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no início do primeiro mandato de Lula em 2003, já comandou o Ministério do Trabalho entre 2005 e 2007, quando assumiu o comando do Ministério da Previdência Social, até 2008. O Ministério da Previdência Social, unificado com o Trabalho, ainda no governo de Michel Temer, deve, conforme declarações do presidente eleito, ser recriado para dar à Esplanada um desenho semelhante ao do seu segundo mandato na Presidência da República.
No Trabalho, Marinho deve enfrentar a pressão de setores do PT e do movimento sindical pela revogação da reforma trabalhista, assunto que, ao menos, no grupo técnico do Trabalho no Gabinete da Transição foi apontado como superado, indicando apenas a necessidade de uma modernização e adequação da legislação em vigor, sem uma revisão ampla da reforma.
Força do PT
Petistas ligados ao ex-ministro acreditam que, como ele teria aceitado o convite do presidente ontem, o anúncio oficial deve ser realizado em breve pela equipe de Lula. Confirmada essa escolha, o PT demonstra força no governo de ‘frente ampla’ que Lula tenta montar. E indica que a legenda pode conseguir barrar a indicação para a pasta do Desenvolvimento Social da senadora Simone Tebet (MDB-MS), a mais cotada até o momento, o que tiraria do PT o controle do cobiçado orçamento do Bolsa Família.
Já o empresário Josué Gomes, que esteve em Brasília na manhã de ontem para acompanhar a cerimônia de posse do Ministro Bruno Dantas na presidência do Tribunal de Contas da União (TCU), vive uma situação de crise na Fiesp, onde sindicatos patronais aliados ao ex-presidente da entidade, Paulo Skaf, buscam a destituição dele da presidência, durante assembleia da entidade agendada para o próximo dia 21.
Mas se a ida de Josué Gomes para o Mdic pode significar uma saída honrosa da crise na entidade das indústrias de São Paulo, esbarra ainda no desafio do empresário comandar pessoalmente o conglomerado da Coteminas, empresa fundada pelo pai falecido em 2011, e que figura hoje como um dos maiores grupos industriais têxteis do mundo.
Mesmo com essas dificuldades, a expectativa de pessoas próximas ao governo é que ele aceite o cargo. Isso é reforçado por Lula ter a família Gomes em alta estima e entender que o empresário teve uma atuação importante na Fiesp, entidade que, sob seu comando, organizou em conjunto com a Federação dos Bancos (Febraban) e a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), o manifesto pelo Estado Democrático de Direito lido no 11 de agosto deste ano, antes do pleito eleitoral.
Confirmada a ida de Gomes para o Mdic, ele será o ministro responsável pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A instituição de fomento será presidida por Aloizio Mercadante, que deve aguardar o futuro ministro para discutir a composição da diretoria do banco. Os nomes de ex-ministros como Nelson Barbosa, que foi titular da Fazenda e Tereza Campello, que comandou o Desenvolvimento Social, já são apontados como escolhas de Mercadante para compor a diretoria com ele.