Título: Resposta às denúncias
Autor: Daniel Pereira
Fonte: Jornal do Brasil, 15/11/2005, País, p. A3

BRASÍLIA - Apesar de elogiarem o ministro da Fazenda, Antonio Palocci Filho, integrantes do governo e da oposição defendem a saída dele do cargo caso não consiga prestar esclarecimentos satisfatórios sobre as denúncias que o envolvem em irregularidades, como a arrecadação de recursos à margem da lei para o PT e para campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002. O discurso corrente é de que um ministro enfraquecido provocará instabilidade no mercado. Além disso, a oposição afirma que o ministro não conseguirá aprovar projetos prioritários da forma idealizada pelo governo.

- Onde está o Palocci para articular a votação da MP 258? - questiona o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).

A medida provisória cria a Super-Receita, já em funcionamento. Está na pauta do Senado e tem de ser aprovada pelo Congresso até a próxima sexta-feira. Caso contrário, perderá a validade. De acordo com Virgílio, Palocci ainda não procurou a oposição para negociar, apesar de lideranças de PSDB, PFL e PDT prometerem trabalhar pelo arquivamento do texto. Até parlamentares governistas, como o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e Ramez Tebet (PMDB-MS), já anunciaram que votarão contra a medida provisória.

Enquanto os oposicionistas marcam posição, o setor produtivo opera nos bastidores a fim de emplacar na MP 258 um pleito repudiado por Palocci. Trata-se da abertura de um novo programa de parcelamento de dívidas tributárias e previdenciárias. Se aprovado, será o terceiro em um prazo de cinco anos.

A proposta conta com a simpatia dos três principais partidos do Senado, sendo que apenas o PMDB advoga a sua inclusão já na Medida Provisória 258.

O Ministério da Fazenda é contra o programa, defendido nos gabinetes do Congresso pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).