Título: Lula critica Ministério Público no caso Celso Daniel
Autor: Kelly Oliveira
Fonte: Jornal do Brasil, 25/11/2005, País, p. A2

Em entrevista a quatro emissoras de rádio do Rio e São Paulo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou que o assassinato do ex-prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel não teve motivação política e foi ''um acidente de percurso''. Lula ainda aproveitou para criticar o Ministério Público, insinuando que o MP atua de forma política no caso. - Tenho a convicção de que a morte do Celso Daniel foi um acidente e foi um crime comum. Não acredito em crime político em hipótese alguma. Lamentavelmente, uma parte do Ministério Público de São Paulo, toda vez que vai chegando a eleição, levanta esse caso.

Lula atribuiu as denúncias de corrupção à proximidade das eleições. E acrescentou que todas as providências necessárias foram tomadas no âmbito do governo federal. Questionado se tem pesadelos ou se sonha com Marcos Valério ou Delúbio Soares, figuras ligadas às denúncias de mensalão e caixa dois do PT, Lula disse que dorme tranqüilo:

- Isso (mensalão) virou refrão de música de carnaval, está no inconsciente da sociedade brasileira e agora a CPI terminou sem provar que houve mensalão - afirmou.

Na entrevista, que durou quase duas horas, o presidente citou a investigação do Ministério Público:

- A apuração dos promotores concluiu que Daniel foi morto porque se opunha a um esquema de cobrança de propina na prefeitura, em parte ligada ao caixa 2 do PT . A pedido meu, o presidente Fernando Henrique mandou a Polícia Federal investigar. A Polícia Civil de São Paulo e Polícia Federal disseram que foi crime comum. Eu fico, por enquanto, com o laudo das duas polícias - acrescentou Lula.

Apesar de ressaltar que ainda não decidiu se será candidato, o presidente fez promessas, como em clima de campanha. Segundo Lula, as filas do Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) vão acabar. O presidente disse que a partir de março ou abril do próximo ano já poderá ser cobrado pela promessa feita ontem.

- Podem cobrar - insistiu.

O ministro da Previdência, Nelson Machado, que compareceu à entrevista, foi mais comedido. Afirmou que em qualquer repartição ou empresa pode haver filas.

- Acabar com a fila de uma vez é muito difícil, porque a fila às vezes é necessária para organizar o procedimento. Então pode ser uma fila desconfortável, e pode ser a de organização do atendimento. Vamos organizar o atendimento - expliocou.

Durante a entrevista, o presidente defendeu o ministro da Fazenda, Antônio Palocci. Disse que não pode cercear as divergências entre os auxiliares, em referência à disputa entre Palocci e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, quanto à proposta da área econômica de fazer um ajuste fiscal de longo prazo.

Segundo o presidente, o ministro Palocci é ''extremamente importante nesse momento político econômico do País'' e não deixará o governo federal.

O presidente aproveitou para criticar a polícia econômica do governo anterior. E afirmou que o Brasil ''finalmente encontrou o caminho do desenvolvimento'', que, segundo o presidente, será duradouro.

Segundo Lula, só ao assumir a Presidência é possível ter a dimensão da responsabilidade que o cargo exige.

- Quando ganhamos a Presidência da República ficamos tomados de uma responsabilidade que o ser humano só sabe quando ganha. Então tenho menos que me queixar e tenho mais é que cumprir com minhas obrigações - declarou.

Na próxima semana, haverá outra coletiva do presidente para rádios de redes nacionais.