Valor Econômico, v. 20, n. 4972, 01/04/2020. Brasil, p. A2

Moro diz que não há por que temer saques

Isadora Peron
Fabio Murakawa
Mariana Ribeiro
Rafael Bitencourt


O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, afirmou ontem que, no momento, não há risco de haver uma onda de saques no país em meio à pandemia do novo coronavírus.

“Recebo muitos questionamentos sobre riscos de saques. Não existe uma crise de abastecimento nem nada concreto relacionado a saques. É inapropriado nós ficarmos antecipando caos que não deve acontecer”, disse durante uma entrevista concedida ao lado de outros ministros.

Moro afirmou que entende a ansiedade das pessoas, mas defendeu que “não existe motivo para receios infundados, já que medidas estão sendo tomadas”. O ministro apontou como exemplo o fato de a Polícia Rodoviária Federal estar auxiliando no transporte de cargas de medicamentos e que a Força Nacional de Segurança também ajudará o Ministério da Saúde em temas relacionados ao coranavírus. O grupo estaria pronto para uma “intervenção” maior, caso seja necessário.

Moro também voltou a afirmar que espera que não haja uma soltura generalizada de presos, especialmente de membros de facções criminosas. “Tudo o que nós não precisamos é que seja associada uma crise de segurança à pandemia”, disse.

O ministro afirmou ainda que, no Brasil, há apenas um caso sendo investigado, em Bagé (RS). “Há ambiente de relativa segurança nas prisões em relação ao vírus pela própria condição de os presos estarem isolados.”

Durante a entrevista, o ministro evitou fazer críticas à postura do presidente Jair Bolsonaro e defendeu que “o governo está agindo, agindo em união, sob a liderança de Bolsonaro”. Reservadamente, porém, Moro tem demonstrado desconforto em relação às atitudes do presidente, que é um crítico do isolamento social. Apesar das divergências, a avaliação é que ele não deve pedir para sair. Auxiliares afirmam que ele jamais deixaria o cargo em um momento de crise, especialmente porque não quer ser visto “como um soldado que abandona a guerra”.