Título: Emprego sem reação em outubro
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Fonte: Jornal do Brasil, 25/11/2005, Economia & Negócios, p. A19
Taxa se mantém em 9,6% e confirma estagnação do mercado, apesar da época propícia para contratações
A taxa de desemprego de seis regiões metropolitanas do país ficou estável em 9,6% em outubro, segundo dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em setembro, a taxa de desemprego havia voltado a subir pela primeira vez em seis meses.
A alta do desemprego em setembro já indicava sinais de desaceleração da economia. Tradicionalmente, o mercado de trabalho fica mais aquecido nos últimos meses do ano em razão da contratação de trabalhadores temporários no comércio. Os resultados de outubro confirmam que, apesar do período propício à criação de novas vagas, o mercado de trabalho segue estagnado.
Já a renda do trabalhador voltou a cair em outubro. Na virada do mês, passou de R$ 974,90 para R$ 966,10, uma queda de 1,4%. Segundo o IBGE, a queda na renda pode ser justificada em parte pelo aumento da inflação e pela entrada no mercado de pessoas com menor remuneração.
Segundo o coordenador da pesquisa, Cimar Azeredo, os dados mostram um cenário menos favorável porque havia uma expectativa maior no início do ano em relação à criação de novas vagas em 2005 e de uma redução maior da taxa de desemprego.
- Isso não aconteceu, a taxa está engessada neste determinado ponto. Fatores como taxa de juros, câmbio e crise política interferiram, mas a gente não tem como medir a intensidade - disse. Ele destaca, no entanto, que em relação aos anos anteriores, o desempenho do mercado de trabalho ainda mostra recuperação.
O coordenador não descarta um recuo da taxa de desemprego nos próximos meses.
- As festas de fim de ano e o aquecimento do comércio podem resultar numa redução maior da taxa, principalmente em dezembro, porque tem menos dias úteis para as pessoas procurarem trabalho. Historicamente a taxa de outubro é sempre maior do que a de dezembro - afirmou.
Entre as seis regiões pesquisadas, apenas Porto Alegre apresentou movimentação expressiva, com recuo de 0,9 ponto percentual em relação a setembro. A taxa passou de 8,4% para 7,5% em outubro. O resultado é fruto da redução no número de pessoas em busca de trabalho associada à estabilidade da população ocupada.
Em São Paulo, a taxa de desemprego recuou de 9,7% para 9,6% em outubro. Entre as mulheres, a taxa em São Paulo é ainda maior: 11,7%. No Rio de Janeiro, a taxa aumentou de 7,4% para 7,9%.
Em outubro, o contingente de pessoas ocupadas nas seis regiões metropolitanas foi estimado em 20,1 milhões. Em relação a setembro o indicador ficou estável. No mês passado, 47,2% da população ocupada cumpria uma jornada de trabalho de 40 a 44 horas semanais e 33,9%, acima de 45 horas semanais.
Em outubro, o número de pessoas à procura de trabalho nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE permaneceu estável em 2,1 milhões de pessoas na comparação com setembro. Em relação a outubro do ano passado, houve alta de 7,3%.