Título: Contradições ainda são grandes
Autor: Marcela Canavarro
Fonte: Jornal do Brasil, 26/11/2005, Economia & Negócios, p. A19
A PNAD 2004 revela contradições grandes ainda existentes no país. Enquanto as tecnologias de informação e comunicação estão entre os itens com maior crescimento, a pesquisa revela que 31,1% das moradias do país não tinham esgotamento sanitário adequado em 2004.
Pelo lado da tecnologia, com investimentos liderados pelo setor privado, as principais ferramentas, o telefone e o computador, mantiveram, em 2004, a seqüência de crescimento dos últimos anos. O número de domicílios com microcomputador passou de 12,6% em 2001 para 16,3% em 2004, um aumento de 11,2%, o percentual mais representativo entre todos os eletrodomésticos investigados na pesquisa. De forma semelhante, o acesso à internet saltou de 8,6% para 12,4%, uma diferença de 11%.
As diferenças regionais acompanham os números. O Sudeste ainda é a região do país com maior concentração de microcomputadores, com 22%, enquanto Norte e Nordeste continuam na lanterna, com 6,9% e 6,8%, respectivamente.
Os esforços para a universalização da telefonia mostraram resultados. Em cinco anos, a proporção de domicílios com telefone passou de 37,6% para 66,1%. De 2003 para 2004, o incremento foi de 9,2%, índice considerado alto, mas que aponta uma desaceleração em relação a períodos anteriores (1995/1996 e 1999/2001).
A expansão de 2003 para 2004 resultou do aumento de 28,8% no número de domicílios com aparelho celular, já que não houve crescimento na posse de linha fixa convencional. Neste período, o número de domicílios atendidos apenas por uma linha móvel aumentou 51,4%, para 16,5%.
A PNAD 2004 indicou também que a distância entre a adoção do rádio e da televisão nos domicílios brasileiros vêm aumentando, fato constatado desde 2001, quando o número de TVs superou o de rádios. A televisão passou de 87,9% de abrangência em 1999 para 90,9% em 2004. O rádio teve uma retração de 89,9% para 88,1% no mesmo período.
Na parte mais dependente de investimento público os resultados foram piores. O número de lares com saneamento básico continuou a crescer em 2004, mas em velocidade menor do que em outros anos. Mantido o ritmo atual, o serviço público de menor cobertura no país só atingirá a universalização em 25 anos.
De 2003 para 2004, aumentou 3,5% o total de domicílios atendidos pela rede coletora de esgoto ou por fossa séptica, ambas classificadas como formas de saneamento adequadas. Em 2004, 69,6% das moradias brasileiras tinham saneamento adequado.
Para Ronaldo Seroa da Motta, coordenador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e especialista em saneamento, o lado positivo é o aumento da cobertura, já que a expansão foi maior do que a dos domicílios. A má notícia é a desaceleração dos investimentos no setor.
Com agências