Correio Braziliense, n. 21847, 09/01/2023. Política, p. 4
Weber: “STF não se deixará intimidar”
Luana Patriolino
Rosana Hessel
Vinicius Doria
A presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Rosa Weber, disse que a Corte não vai se intimidar com os ataques terroristas dos apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) — que não aceitam o resultado das eleições e pregam intervenção militar no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por nota, a magistrada afirmou que os responsáveis pelo violento ataque às sedes dos Três Poderes serão identificados e punidos. O palácio que abriga o STF foi severamente vandalizado, ontem, com a invasão de terroristas. Móveis, documentos, computadores e obras de arte foram destruídos. O Plenário da Corte e vários gabinetes foram depredados.
“O STF atuará para que os terroristas que participaram desses atos sejam devidamente julgados e exemplarmente punidos. O prédio histórico será reconstruído”, destacou. “A Suprema Corte não se deixará intimidar por atos criminosos e de delinquentes infensos ao estado democrático de direito”, acrescentou a ministra.
Ao longo da tarde de ontem, Weber entrou em contato com autoridades da segurança pública do DF e do Ministério da Justiça. Hoje, tem reunião marcada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Neofascismo”
Para o ministro do STF Gilmar Mendes, “A República brasileira foi exposta a monumental vexame”. Em dura nota, o magistrado considerou os ataques frutos de um “plano criminoso” para “depor o governo constituído” para “abolir, mediante violência, o Estado Democrático de Direito”. “É uma comunhão de esforços criminosos: alguns executaram, outros tantos financiaram, planejaram, estimularam. Se uns atuaram, muitos outros ajudaram pela omissão”, escreveu Mendes.
De acordo com o ministro do Supremo, a maior responsabilidade pelos atos de ontem, inclusive criminal, recai sobre as autoridades constituídas que “há tempos, deveriam — por dever de ofício — atuar para combater esse neofascismo tupiniquim”.
“Até que, agora, e como desenvolvimento consequente, prédios históricos de nossa República foram destroçados. Nossas instituições, todavia, não morreram. Quem morre várias vezes em vida é apenas o covarde, nos recorda o Bardo (William Shakespeare, poeta inglês)”, destacou Mendes, ao concluir que “os omissos” serão lembrados “pela infâmia” e que “a lei e o processo penal tratarão de eternizar seus nomes no rol dos culpados”.
O ministro Luiz Roberto Barroso postou, em sua conta no Twitter, que “o terrorismo é a vitória do mal e do crime disfarçados de ideologia. Dia de luto para as pessoas de bem de qualquer credo político. A Justiça virá. E os deuses da democracia protegerão as instituições e cobrirão de vergonha os criminosos que procuram destruí-la”.
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