Título: UTI pediátrica é fechada
Autor: Florença Mazza e Waleska Borges
Fonte: Jornal do Brasil, 29/11/2005, Rio, p. A13

Os seis leitos da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital Municipal Souza Aguiar foram interditados ontem. Por causa do fechamento, a direção do hospital teve de improvisar o atendimento às crianças no mesmo espaço dos adultos. Infiltrações, instalações elétricas expostas e perigo de curto-circuito foram os maiores problemas encontrados na unidade pediátrica, depois de vistoria da Comissão de Saúde da Câmara Municipal. Dos seis leitos, quatro já estavam inutilizados antes da interdição total. - O atendimento infantil passou a ser feito em dois leitos do CTI adulto, o que expõe as crianças a riscos de infecções graves. Quem precisar internar seu filho em uma UTI pode ter que voltar a chamar a polícia - comentou o vereador Carlos Eduardo (PPS), integrante da comissão, em referência às duas mães que tiveram de chamar a Polícia Militar na madrugada de domingo para que suas filhas fossem atendidas no Souza Aguiar. O vereador calcula que faltam pelo menos 20 pediatras no hospital, além de ortopedistas, clínicos e anestesistas.

Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os leitos da UTI pediátrica estarão funcionando em 15 dias.

Na fila para receber atendimento médico, uma paciente ontem à tarde esperava há mais de cinco horas pelo serviço de ortopedia. Funcionária de uma firma de limpeza, Sandra da Silva, 44 anos, precisava apenas engessar o pé esquerdo quebrado e fazer um exame da raio-x, mas não tinha esperanças de ser atendida antes do anoitecer.

- Semana passada, quando cheguei à emergência do Souza Aguiar com a fratura no calcanhar, levei três horas para ser atendida e ainda tive de pagar os remédios - conta Sandra. Na volta, ela teve de gastar mais R$ 50 para voltar para sua casa em Realengo de táxi, porque pela manhã não foi atendida na unidade de saúde mais próxima, o Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Bangu, na Zona Oeste.

Há cinco horas na fila à espera de um ortopedista, o operador de caixa eletrônico Mauro Luiz Beck já havia passado por dois postos de atendimento médico da prefeitura até chegar ao Souza Aguiar por causa de uma tendinite. A resposta que ele teve na emergência do hospital foi que ele só teria preferência no atendimento se estivesse com o braço quebrado.