O Povo, 14/08/2019. Versão on-line

O sangue novo que transforma

Jaques Wagner 


Com o objetivo de focar na educação e conscientizar os jovens diante do futuro, a ONU  instituiu, há 20 anos, o 12 de agosto como o Dia Internacional da Juventude.  Fortalecendo a iniciativa, jovens brasileiros mais uma vez lideraram, ontem,  manifestações pelo país em defesa desse setor que tem sido alvo dos perversos cortes  do governo federal. Tais atos, somados às ideias e à inquietude da juventude em  transformar, fortalecem a educação e, também, a nossa tão atacada democracia. 

Defendo que engajar novas gerações na militância é um desafio que devemos  perseguir. Novas ideias e lideranças são fundamentais para qualificar os debates e  avançar na construção da cidadania. Os e as jovens oxigenam as discussões e são a  força que revoluciona os velhos hábitos e superam oligarquias. 

Com a participação em locais representativos, como grêmios estudantis, centros  acadêmicos, DCEs, movimentos sociais, de bairro, sindicatos e igrejas, jovens  qualificam os fóruns de participação e os tornam mais democráticos. Esta renovação é  decisiva para que a política reflita os anseios da maioria da população, incluindo a  peculiar forma da juventude de sonhar, lutar e realizar. 

É importante que jovens se empoderem de seus direitos, por meio do Estatuto da  Juventude, sancionado há seis anos. Ele reconhece as especificidades desta população  na saúde, educação, sustentabilidade, segurança, cultura, trabalho, lazer, diversidade,  igualdade, comunicação, participação social, etc. Concede meia-entrada para  estudantes e jovens de baixa renda em eventos culturais e esportivos e gratuidade no  transporte público interestadual. O documento é resultado de ampla discussão e sua  inclusão na legislação representa que os direitos dos e das jovens serão garantidos  como política de Estado, independente do governo. 

Para além das redes sociais, é essencial que os brasileiros e brasileiras que têm entre  15 e 29 anos, independentemente do sexo, etnia, condição social, orientação sexual,  identidade de gênero, religiosidade e se vive no ambiente urbano ou rural sejam  protagonistas das mudanças. Como eternizado em “Morte e Vida Severina”, do grande  João Cabral de Melo Neto, desejo que esse “Sangue Novo” corrompa a “anemia  política” que tomou conta de muitos e contagie mais pessoas a lutarem por um país  melhor.