O Povo, 02/09/2020. Versão on-line

Reencontro com a Democracia

Jaques Wagner


Esta semana marcou os quatro anos de um grave abalo democrático sofrido pelo Brasil, que foi a  consumação do injusto impedimento, sem causa, da presidenta Dilma Rousseff. O ato inicial de  manobras jurídicas e políticas decisivas para essa atual situação de crise institucional e fragilidade  democrática que vivemos. Os que não aceitaram o resultado de 2014 inventaram um crime e  deram o golpe. Instalando um pensamento binário, como se a vida só tivesse duas cores. Ali,  começamos a entender que a maior ameaça à democracia é o ódio, alimentado por mentiras e fake news. 

Para entender o cenário, recomendo o livro “Os Engenheiros do Caos”, do cientista político Giuliano  Da Empoli, que relata esse novo modo de fazer política e como as redes sociais e a internet servem  tanto para o bem como para o mal, com a disseminação de notícias falsas, ameaças e covardia. 

Em poucas semanas, começará a campanha municipal, que vai eleger 5570 prefeitos e prefeitas e  milhares de vereadores e vereadoras em todo o país. Uma nova oportunidade de corrigirmos erros  e reafirmarmos a necessidade de uma democracia forte e transparente. Por conta da pandemia,  teremos que nos modular e apresentar as ideias por redes, rádio e TV, trabalhando uma agenda  propositiva que atenda aos reais anseios do povo brasileiro, com mais emprego, saúde, segurança e  qualidade de vida. 

Precisamos ir na contramão do atual governo, que não tem projeto para o Brasil por desconhecer  os dramas e as potencialidades do país. Seu único projeto é o de destruir a rede de proteção social  e os direitos dos trabalhadores da cidade e do campo. Voltamos ao Mapa da Fome, somos o  segundo país com a maior concentração de renda, estamos entre as nações com maior taxa de  desigualdade social e o desmatamento na Amazônia aumentou muito. 

Resistiremos a tudo isso, sem perder o foco em propostas capazes de recolocar o Brasil nos trilhos.  Devemos priorizar o debate de ideias, a renda básica, a sustentabilidade social e ambiental, a  redução de desigualdade, o fortalecimento da agricultura familiar e a defesa das empresas públicas  e das riquezas naturais. 

Seguiremos trabalhando para reverter esse cenário desolador, para que o país reencontre o rumo  do desenvolvimento, do crescimento e da prosperidade.