Título: Orçamento reflete as pretensões
Autor: Sérgio Pardellas
Fonte: Jornal do Brasil, 04/12/2005, País, p. A3

BRASÍLIA - O Orçamento Geral da União para o último ano do governo é um retrato fiel das pretensões do presidente Luiz Inácio Lula da Silva: os números da proposta orçamentária de 2006 apontam para um crescimento médio de 27% dos recursos destinados para os programas de saneamento, agricultura familiar e do Bolsa Família - todos voltados para as camadas mais baixas da população. O Bolsa Família, carro-chefe da política social do governo Lula, projeta atender 11,2 milhões de famílias até o final de 2006. As políticas de habitação de interesse social e regularização de assentamentos precários, por sua vez, consumirão investimentos da ordem de R$ 742,3 milhões.

Mesmo no setor de infra-estrutura, os aportes em 2006 serão concentrados em obras de forte caráter social, como a transposição do Rio São Francisco. O projeto consumirá R$ 1,1 bilhão. Ao todo, a verba equivale a 69% da dotação do Ministério da Integração Nacional, responsável por gerenciar o projeto, para 2006. Outro exemplo é o investimento em transporte urbano de passageiros, com o qual o governo promete gastar R$ 709,8 milhões, ou 14,2% de todo o investimento projetado para a área de transportes em todo o país.

O investimento para a produção também está marcado pela ênfase no social. A dotação prevista para o Ministério do Desenvolvimento Agrário, que coordena as ações de agricultura familiar e reforma agrária, teve seu orçamento aumentado em 44,01%. O ministério da Agricultura receberá aporte de R$ 876,3 milhões, montante 25% maior do que os recursos disponíveis ao longo desse ano.

Entre os ministério de Infra-Estrutura, as pastas mais beneficiadas com o aumento da previsão de recursos foram a de Integração Nacional (44,4% a mais) e a de Cidades (39,9%). Ambos ministérios são marcados pelo elevado capital eleitoral com grande penetração nas classes menos favorecidas da população. Em contrapartida, o Ministério da Ciência e Tecnologia viu a previsão de recursos diminuir em 18,5%.