Título: Condoleezza muda o discurso
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Fonte: Jornal do Brasil, 08/12/2005, Internacional, p. A7
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou ontem, em Kiev, que os interrogadores americanos estão sujeitos às leis internacionais contra a tortura ''dentro e fora dos EUA''. A declaração, embora assessores tenham corrido para esclarecer, desmente discurso do próprio ex-procurador-geral e atual Secretário de Justiça, Alberto Gonzales, em 2004, que havia afirmado que esse tipo de código não se aplicaria a cidadãos americanos que interrogavam estrangeiros fora do país.
- As obrigações assumidas pelos Estados Unidos na Convenção contra a Tortura (que proíbe os tratamentos cruéis e desumanos assim como os tratamentos degradantes) se aplicam aos funcionários onde quer que estejam, dentro ou fora dos Estados Unidos - declarou a secretária após encontro com o presidente ucraniano Viktor Iuchtchenko.
Um assessor de Rice precisou que este comentário era um ''esclarecimento da política e não uma mudança da política'' de Washington, mas a imprensa européia destacou a contradição entre os dois discursos. Autoridades americanas, viajando com Condoleezza, afirmaram à agência Reuters que as observações marcam uma guinada na política.
A afirmação de Condoleezza surge no momento em que a Europa cobra as informações sobre a utilização pela CIA de aeroportos europeus para o transporte clandestino de prisioneiros islâmicos para prisões secretas. Pelo menos 800 vôos teriam sido feitos. Na terça-feira, a secretária teve um encontro difícil com a chanceler alemã Angela Merkel.
O presidente George Bush também alterou seu ponto de vista ontem, ao admitir que foram cometidos erros na condução da guerra do Iraque, mas advertiu que retirar agora do país as tropas da coalizão seria ''um erro maior''. Também destacou os progressos na reconstrução e segurança iraquianas, a despeito da escalada de violência no país.
- A reconstrução não se desenvolveu tão bem quanto esperávamos, principalmente em razão de desafios relacionados à segurança no terreno - declarou Bush no Council on Foreign Relations, o mais prestigiado instituto de pesquisas sobre política externa, em Washington.