Título: Militar procurava negociar
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Fonte: Jornal do Brasil, 16/11/2004, Internacional, p. A-7
A representação mais utilizada dos quatro anos em que Powell esteve no comando da secretaria de Estado é a do discurso que fez na ONU, em 5 de fevereiro de 2003. Na ocasião, o ''general que não gosta de lutar'', como definiu a ex-secretária de Estado Madeleine Albright, afirmou que Saddam Hussein continuava a produzir armas de destruição em massa mesmo depois de 12 anos de sanções internacionais.
A ida à ONU foi, na verdade, uma iniciativa do próprio Powell. Já prevendo um desfecho negativo, o presidente Bush não pretendia levar o caso ao plenário das Nações Unidas e foi o secretário de Estado que o convenceu de que tal medida era necessária para a credibilidade internacional da ação.
Enfrentando as acusações de que a Casa Branca agia como uma superpotência unilateral, Powell defendeu posturas multilaterais vigorosas no que diz respeito às preocupações de Washington com relação ao Irã e à Coréia do Norte, com a esperança de negociar acordos que dessem um fim às ameaças nucleares procedentes dos dois países.
O secretário rejeitava o rótulo de que fazia parte de um governo ''militarista'', ressaltando que a Casa Branca aumentou a ajuda internacional e os programas de assistência no combate à Aids. Conhecido como um militar disciplinado e leal, o que o manteve até o fim do primeiro governo, Colin Powell não nega que tem aspirações de concorrer à Presidência americana.