Título: PT nega uso de laranja
Autor: Mariana Santos
Fonte: Jornal do Brasil, 12/12/2005, País, p. A4

A denúncia de que a campanha para Presidência da República de Lula em 2002 teria pago cerca de R$ 800 mil a uma empresa laranja foi negada em nota pela direção do PT. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo de ontem, afirma que a Santorine Comercial e Distribuidora Ltda teria recebido o dinheiro para produzir faixas e bandeirinhas que seriam distribuídas durante a campanha de 2002. No entanto, o contrato social da empresa a definia como atacadista de alimentos e bebidas, e os sócios negam ter feito negócios com o PT.

Segundo a reportagem, a Santorine foi criada em 2000 e fechada em fevereiro de 2003, quatro meses após a eleição de Lula, e informava dois endereços em Campinas. Funcionários das empresas locais negaram a existência da Santorine naquela região.

Para tentar provar que o negócio foi legal o PT apresentou notas fiscais emitidas pela empresa e as cópias dos cinco cheques que somam R$ 795.700.

Segundo a nota do PT, a análise dos documentos apresentados ao TSE mostra que a transação comercial feita com a Santorine está ''dentro dos trâmites legais'' e que as contas foram ''integralmente aprovadas pelo TSE''.

A matéria da Folha de S.Paulo destaca que, apesar de a Santorine não ser uma empresa especializada em serviços de propaganda e ter funcionado durante dois anos e dez meses, faturou bem com o material para a campanha de Lula. O valor pago a ela, segundo a reportagem, corresponde a cerca de 10% do que o PT informou oficialmente ao TSE ter gasto com a agência de Duda Mendonça para fazer a campanha presidencial (foram R$ 7 milhões). Ou seja, uma empresa pouco conhecida, criada originalmente para outra finalidade e com sócios que dizem não saber que eram donos da companhia, recebeu quase R$ 800 mil da campanha do presidente.