Título: Palocci: munição ''amiga''
Autor: Mariana Santos
Fonte: Jornal do Brasil, 12/12/2005, País, p. A4
A alta cúpula do PT jogou lenha nova e reacendeu as críticas sobre o condução da política econômica conduzida pelo ministro Antônio Palocci. O próprio líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (SP) admite que a resolução do Diretório Nacional do PT, divulgada no sábado passado, pode servir de munição para que os adversários do governo voltem a bombardear Palocci. Nos últimos mês, o ministro viveu momentos de maior fragilidade no cargo desde o início da gestão Lula, e quase não resistiu às denúncias de corrupção envolvendo seus assessores na época em que era prefeito de Ribeirão Preto. Neste período, esteve duas vezes na Câmara e uma no Senado, para dar explicações pedidas pelos parlamentares.
- Se algum adversário do Palocci quiser se aproveitar disso pode até interpretar assim. O PT quer que o Brasil cresça e Palocci também - afirmou Chinaglia.
O líder do governo nega que as declarações configurem nova onda de ''fogo-amigo'' sobre Palocci. No documento, porém, a cúpula petista alveja duramente o titular da Fazenda, ainda que sem citá-lo nominalmente.
Para integrantes da oposição, o PT acaba reforçando uma conduta de ''morde-assopra'' sobre o ministro. Líder da minoria na Câmara, o deputado José Carlos Aleluia (PFL-BA) afirma que a resolução petista é uma ''farsa''.
- O presidente tem duas faces, atua dos dois lados. Ao mesmo tempo que está ao lado da política econômica, está fritando o ministro, para tentar jogar para a opinião pública - diz Aleluia.
Votada anteontem na sede do PT, em São Paulo, a resolução tem como objetivo construir um novo pacto de coesão interna para pavimentar a campanha de reeleição de Lula em 2006. O partido considera fundamental a redução significativa dos juros, o que seria ''perfeitamente compatível'' com as contas do governo, com a estabilidade da inflação e com o cenário internacional.
O PT defende ainda a aceleração na execução orçamentária, com ampliação de investimentos em infra-estrutura e em políticas sociais, e mais atenção à reforma agrária. Em nota, o partido afirma que o caminho do crescimento permite reduzir a relação dívida/PIB, sem sacrificar investimentos por conta das metas de superávit primário.
- Nosso país não pode e não vai aprisionar seu futuro, dentro da camisa de força imposta pela dívida pública e pelas altas taxas de juros ao Estado brasileiro, ao longo das últimas décadas e nem ficar prisioneiro da receita de juros altos como o único remédio para combater a inflação. É possível crescer distribuindo renda e riqueza, com inflação e juros compatíveis com uma sociedade livre da ditadura dos interesses financeiros - diz a resolução.
Como rumos da campanha de 2006, o PT quer a união do partido e a ênfase nos números favoráveis dos programas sociais.