O Globo, n. 32482, 13/07/2022. Política, p. 8

Senador vai ao STF contra Pacheco, que fala em “oportunismo eleitoral”

Camila Zarur


O senador Alessandro Vieira (PSDB-PE) apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF), ontem, uma notícia-crime na qual acusa o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e seu antecessor, senador Davi Alcolumbre (União-AP), de corrupção ativa por suspeitas de terem negociado a liberação de emendas em troca de votos na eleição para a presidência da Casa. No documento, Vieira também acusa o senador Marcos do Val (Podemos-ES) pelo mesmo crime. Pacheco classificou o processo como “oportunismo eleitoral”.

Vieira apresentou o pedido de investigação à Corte após entrevista de Do Val ao jornal Estado de S. Paulo, em que disse ter recebido recursos do orçamento secreto como “gratidão” por ter votado em Pacheco na disputa pela presidência da Casa, em 2021.

O senador disse que foi informado por Alcolumbre de que receberia R$ 50 milhões em emendas por ter apoiado a campanha dePacheco. Na época da eleição à presidência do Senado, Alcolumbre ocupava o cargo e articulava para que seu sucessor fosse Pacheco.

“Vantagem indireta”

Na notícia-crime, Vieira pede a investigação do caso e afirma que oferecer emendas “configura vantagem indireta” e dever ser repudiado.

Na ação, o senador também pede para que o caso seja enviado à Procuradoria Geral da República (PGR).

Vieira entrou com uma representação contra os três senadores no Conselho de Ética do Senado por quebra de decoro parlamentar. No entanto, o colegiado está desativado desde 2019.

Questionado, Pacheco classificou a ação apresentada por Vieira de “oportunismo eleitoral”:

— Eu considero que é fruto de um oportunismo político próprio de período pré-eleitoral. Lamento isso de alguém que não é capaz de reconhecer aquilo que eu tenho buscado fazer desde que assumi a presidência do Senado, quando já existiam essas emendas de relator previstas na lei — disse Pacheco.

Alcolumbre e Do Val ainda não se pronunciaram sobre o caso.